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Onicofagia: o (mau) hábito de roer as unhas afeta até 30% da população mundial

O que parece ser apenas uma reação à ansiedade, não é inofensivo como se acredita e pode ser prejudicial à saúde
Amanda Omura

Amanda Omura

Roer as unhas sem conseguir parar – muita gente tem esse hábito. A maioria começou na infância, passou pela adolescência e chegou na vida adulta sem abandonar a prática. Isso acontece porque o hábito de roer as unhas, também conhecido como onicofagia, é automático e, muitas vezes, completamente inconsciente.

De acordo com um estudo publicado na revista científica National Library of Medicine, 20% a 30% da população mundial, em todas as faixas etárias, roem as unhas.

A vontade de roer as unhas pode ser causada por vários motivos: insegurança, nervosismo, mas até um filme muito emocionante pode levar a pessoa a morder, roer e beliscar as unhas. Geralmente, é uma reação ao medo, estresse ou tédio.

Para muitas pessoas, roer as unhas é uma forma de lidar com a pressão emocional ou de se distrair em situações desagradáveis.

Hábito chato com riscos também para a saúde
A situação pode se tornar realmente problemática se as unhas forem roídas até o leito ungueal, o que muitas vezes inflama a matriz e danifica as cutículas. A cutícula pode romper e começar a sangrar.

"Pode ocorrer inflamação e a área pode ter infecções (bacterianas, virais ou fúngicas). Isso é algo muito sério no campo das doenças dermatológicas", diz Wahl-Kordon.

Além disso, o tecido danificado pode doer e inflamar e as unhas podem se deteriorar.

Os problemas causados pelo mau hábito não param por aí. A saúde bucal também pode ser afetada, pois as bactérias podem se acumular nas unhas danificadas e nos restos roídos delas, que vão direto para a boca, aumentando os riscos de doenças e infecções gengivais.

Esse pode ser o motivo pelo qual os roedores de unha pegam mais resfriados, contraem mais infecções gastrointestinais e têm erupções cutâneas com mais frequência. Os dentes também sofrem, pois as bactérias e germes, além de causar mau hálito, podem provocar outros tipos de complicações dentárias.

Como parar de roer as unhas?
Em crianças, o hábito de roer as unhas geralmente desaparece com o tempo. Para elas, as tinturas e os esmaltes são um método eficaz e comum para fazer com que parem. Essas tinturas e esmaltes são feitos de compostos químicos como o benzoato de denatônio, que tem um sabor extremamente amargo e inofensivo para a saúde.

Eles não são tóxicos e não são absorvidos pelo corpo. Assim, a criança, para fugir do gosto amargo, evita colocar os dedos na boca.

Para adolescentes, a puberdade e o desejo de ter mãos e unhas bem cuidadas geralmente ajudam a acabar com o mau costume. Muitos ficam constrangidos com as unhas quebradiças e tentam escondê-las. Afinal de contas, unhas coloridas estão na moda.

Para os adultos que não conseguem parar, o uso de tinturas ou esmaltes também pode ajudar. Ou estratégias para se tornarem conscientes do ato de roer unha: os especialistas aconselham a manter uma espécie de diário. "A primeira coisa é entender como e quando ocorre o comportamento, e quais são as possíveis situações desencadeadoras", diz Wahl-Kordon.

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