Voltar ao Início

Você está em:

População mais pobre não sente recuperação do PIB

Maioria dos entrevistados reclamou da alta de preços no mercado e dificuldade para conseguir emprego
Amanda Omura

Amanda Omura

O desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre do ano foi positivo. Os dados do PIB, divulgados nesta quinta-feira (2) pelo IBGE, mostram que a atividade econômica cresceu 1% nos três primeiros meses do ano, mas essa melhora não foi sentida por grande parte da população – que ainda sente apertar no bolso a alta de alimentos e combustíveis e a falta de reajuste nos salários.

Em uma pesquisa feita no centro de comércio popular na região de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, para ouvir, dos trabalhadores, se esse crescimento trouxe algum alívio às finanças. A maioria dos entrevistados reclamou da subida constante dos preços no mercado e disse que a busca por emprego continua difícil.
Quem trabalha com comércio viu uma pequena melhora com a retomada, mas ainda sofre com uma clientela pequena. Os lucros do pequeno comerciante de rua sumiram, agora eles vendem o suficiente para cobrir os prejuízos.
Leia, abaixo, o que eles contaram:

Jaci Vieira Souza, dona de casa
Jaci é dona de casa. Em uma casa de cinco, apenas três conseguiram trabalho e têm renda. Para chegar ao fim do mês, ela precisou se endividar no cartão de crédito.
"O custo de vida continua muito alto. Por mais que a gente pesquise, está muito difícil, o dinheiro não dá para comprar o que a gente quer. A gente coloca em primeiro lugar as necessidades básicas, e o cartão de crédito vai ficando para trás, a gente vai colocando no parcelamento, muito embora isso dificulte a nossa vida. Até a situação melhorar, a gente vai ter que ir se adaptando. É o Brasil."

Eduardo Alexandre Souza, porteiro
Eduardo tem 46 anos e conseguiu um trabalho como porteiro no começo do ano, após passar um ano desempregado. Mesmo com o emprego, pagar todas as contas e os remédios da filha é uma tarefa impossível.
"Mesmo trabalhando, fica difícil com o salário que a gente ganha. Estou tentando arrumar outro serviço, mas está difícil também", diz. "Tá cada vez pior. Você vai no mercado, é um preço. Vai no outro, é outro preço de novo. A gente fica perdido, tem que escolher uma coisa ou outra. Se a gente não escolher, morre de fome. Eu tenho uma filha especial. A gente gasta R$ 600 de remédio. Fora a fralda, que é R$ 1.200. Aí, não dá."

Jonathan Fernandes, entregador de panfleto
Jonathan tem 27 anos e banca sozinho a casa em que mora com o companheiro. Ele está há oito meses entregando currículo por toda a cidade, mas não consegue ser chamado para entrevistas. Por enquanto, sobrevive com um bico como entregador de panfletos na porta do metrô.
"Na área do mercado subiu bastante, o feijão e o arroz estão um absurdo, mas principalmente o óleo. A gente não sabe se se mantém com alimento ou se se preocupa com a saúde, está muito difícil mesmo. Até o emprego tá difícil, a gente não sabe o que fazer."

Posts Relacionados

Juros mais baixos e alta de emplacamentos: vai ficar mais fácil comprar um carro zero?

Juros mais baixos e alta de emplacamentos: vai ficar mais fácil comprar um carro zero?

Segmento acredita em crescimento de dois dígitos, com juros mais baixos para o financiamento

‘Fantasia não é convite’: veja dicas de proteção e ações contra assédio no carnaval do Rio

‘Fantasia não é convite’: veja dicas de proteção e ações contra assédio no carnaval do Rio

'Período de muita alegria, mas não de abuso. Todas as leis continuam valendo', diz a comandante da Ronda Maria da Penha

Gastos de turistas no Brasil em 2023 superam ano de Copa e chegam a US$ 6,9 bilhões

Gastos de turistas no Brasil em 2023 superam ano de Copa e chegam a US$ 6,9 bilhões

Até então, recorde havia sido registrado em 2014, quando turistas gastaram US$ 6,8 bilhões

Governo quer diferenciar empresas que são boas pagadoras e fixar regras

Governo quer diferenciar empresas que são boas pagadoras e fixar regras

Segundo Barreirinhas, a proposta também buscará mapear as companhias com benefícios fiscais

Salário mínimo com valor reajustado passa a ser pago a partir desta semana

Salário mínimo com valor reajustado passa a ser pago a partir desta semana

Valor de R$ 1.412 começou a valer em janeiro de 2024, mas só será pago agora, em fevereiro

Com Minha Casa, Minha Vida, financiamento imobiliário pelo FGTS cresce 59%

Com Minha Casa, Minha Vida, financiamento imobiliário pelo FGTS cresce 59%

O total de crédito imobiliário somou 251 bilhões de reais em 2023, representando um aumento de 4%

Poder de compra do brasileiro foi corroído quase que pela metade em 10 anos

Poder de compra do brasileiro foi corroído quase que pela metade em 10 anos

Salário teria que quase dobrar para conseguir adquirir a mesma quantidade de itens que em 2013

Imposto de Renda: quem ganha dois salários mínimos voltará a pagar; entenda por quê

Imposto de Renda: quem ganha dois salários mínimos voltará a pagar; entenda por quê

Segundo os auditores, a retomada da cobrança é consequência do reajuste do salário mínimo

pt_BRPortuguese