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Por que a longevidade depende dos nossos relacionamentos

Para professor, envelhecer bem está associado às relações interpessoais, que funcionam como reguladores emocionais
Amanda Omura

Amanda Omura

O Centro de Longevidade de Stanford realizou, nos dias 13 e 14, o Century Summit 2022, dedicado a discutir as melhores práticas para uma velhice ativa e prazerosa. Coube a Laura Carstensen, fundadora e diretora da instituição, a abertura do evento, entrevistando Robert J. Waldinger, psiquiatra, psicanalista e sacerdote zen. Além de professor da faculdade de medicina de Harvard, é diretor do Study of Adult Development, que está em seu 85º. ano e, desde 1938, acompanha alunos da universidade (e agora suas famílias) até o fim da vida. Esse monitoramento se tornou uma das mais abrangentes pesquisas sobre a construção de um envelhecimento de qualidade.

“Quem tem uma maior capacidade adaptativa se sai melhor, é uma questão de saber lidar com as dificuldades de uma forma positiva. O fato de sermos inteligentes não prediz o quanto seremos felizes, são outros atributos que contribuem para o bem-estar: nossa inteligência emocional, nossas amizades, a satisfação com nosso casamento ou envolvimento afetivo. Tudo gira em torno de relacionamentos”, afirmou Waldinger.
Um estudo voltado para mapear, na meia-idade, fatores que pudessem servir como preditores para a longevidade impressionou os pesquisadores porque não foram os índices de colesterol ou pressão que desempenharam papel mais relevante, e sim a qualidade dos relacionamentos: “as relações interpessoais são reguladores emocionais, funcionam como um anteparo. O isolamento nos faz pagar um preço terrível”, enfatizou. Para quem ainda tem dúvidas, levantamento realizado pela Universidade de Sapporo, no Japão, constatou que o quadro de saúde de pacientes com insuficiência cardíaca solitários apresentava resultados piores do que o de indivíduos sociáveis.

Waldinger também valoriza o que chama de “relações casuais”: as pequenas conversas com o atendente do café, o caixa do supermercado ou balconista da farmácia: “são interações que nos localizam socialmente, que nos dizem: ‘eu vejo você, eu reconheço você’”. Sobre fazer novos amigos, recomenda que sejamos proativos: “temos que nos aproximar, fazer a ponte na direção daqueles com quem desejamos nos conectar. Precisamos desenvolver nossa aptidão social”. Em janeiro, lança “The good life and how to live it: lessons from the world´s longest study on happiness” (“A vida boa e como vivê-la: lições do maior estudo mundial sobre felicidade”), em parceria com Marc Schulz, atualizando as conclusões do trabalho que dirige em Harvard.

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