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Sono regula células que protegem do Alzheimer

Na meia-idade, é comum que a qualidade do sono se deteriore, motivo para nos empenharmos em busca de um repouso de qualidade
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Amanda Omura

A cada nova pesquisa sobre o sono, mais a comunidade científica se convence de que dormir é uma arma poderosa que o organismo tem para preservar a saúde. Em estudo publicado no dia 10 na revista científica “PLOS Genetics”, pesquisadores relataram que células do sistema imunológico responsáveis por “limpar” uma proteína que se acumula no cérebro de pacientes com a Doença de Alzheimer obedecem ao ciclo circadiano. Aproveito para fazer uma brevíssima pausa para lembrar que o ciclo ou ritmo circadiano é o período de 24 horas durante o qual nosso relógio biológico interno regula o metabolismo. O cérebro recebe diferentes estímulos durante o dia e a noite, o que faz com que o corpo se comporte de maneira diversa durante o sono e a vigília. Entre os fatores que perturbam o ciclo circadiano estão dormir tarde, insônia, uso de medicamentos, mudanças de rotina ou fuso horário.
Voltando à pesquisa: o achado sugere que interrupções no sono podem estar relacionadas ao surgimento do Alzheimer. Os pesquisadores mediram a atividade das células imunes que atuam para evitar a formação de placas da proteína beta-amiloide 42 (AB42) no cérebro, uma característica da enfermidade. Usando culturas dessas células desenvolvidas em laboratório, descobriram que sua função é controlada pelo ciclo circadiano e, se esse equilíbrio é rompido, elas deixam de realizar seu trabalho.
O médico Einstein Camargos, professor da Universidade de Brasília, afirmou que o resultado de uma meta-análise de 2020 (quando são reunidos estudos independentes sobre uma mesma questão) apontava que dormir menos de seis ou além de 12 horas aumenta em 30% chances de demências. “Precisamos dormir para limpar as proteínas do espaço extracelular do cérebro, ou elas se agregarão, impedirão o fluxo de fluido e potencializarão a polimerização das fibrilas”, explicou, referindo-se às proteínas beta-amiloide, Tau e alfa-sinucleína, que se aglomeram e estão associadas a doenças neurodegenerativas.

Na meia-idade, é comum que a qualidade do sono se deteriore, motivo para nos empenharmos em busca de um repouso de qualidade. De acordo com outro trabalho, divulgado no começo do mês, ter duas ou mais doenças crônicas – como hipertensão, diabetes, doença coronariana ou obstrutiva de pulmão, além de depressão – nesta fase da vida aumenta o risco de demência. Os pesquisadores se debruçaram sobre dados de 10 mil britânicos que participavam de um estudo de longa duração iniciado no período entre 1985 e 1988. Na ocasião, o grupo tinha entre 35 e 55 anos e ninguém apresentava sintomas de declínio cognitivo. No entanto, para as pessoas na faixa dos 50 com duas ou mais comorbidades, as chances para demência se mostraram 2.4 vezes maiores do que para aquelas sem enfermidades.

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