Voltar ao Início

Você está em:

Sem estímulos econômicos, endividamento privado deve frear o crescimento global, diz FMI

A dívida privada global aumentou 13% do produto interno bruto mundial em 2020
Amanda Omura

Amanda Omura

O Fundo Monetário Internacional (FMI) constatou que haverá uma desaceleração da economia global nos próximos anos por conta do endividamento recorde de empresas e da população depois do impacto da crise causada pela pandemia do coronavírus.

Ao projetar a média para os próximos três anos, o fundo afirma que países de economia desenvolvida podem perder 0,9% do produto, enquanto economias emergentes devem desacelerar ainda mais, com média de 1,3%.

As conclusões estão no capítulo especial do World Economic Outlook (WEO), relatório de acompanhamento econômico global, publicado nesta segunda-feira (18).

Os analistas do FMI lembram que governos federais e bancos centrais ao redor do mundo conseguiram diminuir a "dor econômica" da pandemia ao injetar liquidez na economia, com auxílios para o consumidor e garantias de crédito para empresas, além de moratórias para o pagamento de juros.

Ao mesmo tempo, as medidas levaram a um aumento na dívida privada, trazendo o maior aumento da alavancagem desde a crise financeira global de 2008.

"A dívida privada global aumentou 13% do produto interno bruto mundial em 2020 – mais rápido do que o aumento observado durante a crise financeira global e quase tão rápido quanto a dívida pública dos países", diz o texto.
Como tudo na pandemia, contudo, o impacto foi desigual entre as economias. O grau de exposição a serviços que demandam contato físico e o poderio dos auxílios governamentais foram determinantes para um maior ou menor comprometimento de dívidas.
"Nossa análise mostra que o empecilho pós-pandemia ao crescimento pode ser muito maior em países onde (1) o endividamento está mais concentrado entre famílias e empresas vulneráveis, (2) o espaço fiscal é limitado, (3) o regime de insolvência é ineficiente, e (4) a política monetária precisa ser apertada rapidamente", prossegue a análise.
O raciocínio é simples: quando o endividamento atinge pessoas físicas, o potencial de movimentar a economia pelo consumo cai. Pelo lado das empresas, há redução de investimentos e uma possível estagnação de postos de trabalho – ou mesmo, no limite, a promoção de cortes e aumento do desemprego.
"Espera-se, portanto, que o obstáculo ao crescimento futuro seja maior nos países que experimentaram os maiores aumentos no endividamento entre famílias de baixa renda e empresas vulneráveis ​​durante a pandemia", afirma o FMI.

Inflação e juros
Para o FMI, as condições monetárias e seus efeitos também precisam ser observadas com atenção em diferentes países.
"Onde a recuperação está bem encaminhada, o apoio fiscal pode ser reduzido mais rapidamente. Em outros lugares, os governos devem direcionar o apoio fiscal para os mais vulneráveis na transição para a recuperação, mantendo-se dentro de estruturas fiscais credíveis de médio prazo", afirma o fundo.

Posts Relacionados

Governo publica MP que isenta do Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos

Governo publica MP que isenta do Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos

Norma foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, na noite desta terça-feira (6)

Juros mais baixos e alta de emplacamentos: vai ficar mais fácil comprar um carro zero?

Juros mais baixos e alta de emplacamentos: vai ficar mais fácil comprar um carro zero?

Segmento acredita em crescimento de dois dígitos, com juros mais baixos para o financiamento

‘Fantasia não é convite’: veja dicas de proteção e ações contra assédio no carnaval do Rio

‘Fantasia não é convite’: veja dicas de proteção e ações contra assédio no carnaval do Rio

'Período de muita alegria, mas não de abuso. Todas as leis continuam valendo', diz a comandante da Ronda Maria da Penha

Gastos de turistas no Brasil em 2023 superam ano de Copa e chegam a US$ 6,9 bilhões

Gastos de turistas no Brasil em 2023 superam ano de Copa e chegam a US$ 6,9 bilhões

Até então, recorde havia sido registrado em 2014, quando turistas gastaram US$ 6,8 bilhões

Governo quer diferenciar empresas que são boas pagadoras e fixar regras

Governo quer diferenciar empresas que são boas pagadoras e fixar regras

Segundo Barreirinhas, a proposta também buscará mapear as companhias com benefícios fiscais

Salário mínimo com valor reajustado passa a ser pago a partir desta semana

Salário mínimo com valor reajustado passa a ser pago a partir desta semana

Valor de R$ 1.412 começou a valer em janeiro de 2024, mas só será pago agora, em fevereiro

Com Minha Casa, Minha Vida, financiamento imobiliário pelo FGTS cresce 59%

Com Minha Casa, Minha Vida, financiamento imobiliário pelo FGTS cresce 59%

O total de crédito imobiliário somou 251 bilhões de reais em 2023, representando um aumento de 4%

Poder de compra do brasileiro foi corroído quase que pela metade em 10 anos

Poder de compra do brasileiro foi corroído quase que pela metade em 10 anos

Salário teria que quase dobrar para conseguir adquirir a mesma quantidade de itens que em 2013

pt_BRPortuguese