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‘Síndrome do desgaste’ afasta mão de obra sênior precocemente do mercado

Profissionais maduros se preocupam em como são vistos, achando que talvez não tenham mais as habilidades necessárias
Amanda Omura

Amanda Omura

Na Europa Ocidental, a valorização da mão de obra sênior é uma política de Estado. Um cenário bem diferente do que ocorre no Brasil, onde o mercado ainda fecha as portas para os trabalhadores acima dos 50. No entanto, mesmo sem sofrer com um etarismo pesado como aqui, idosos europeus têm abandonado seus empregos por se sentirem ultrapassados. O nome disso? “Síndrome do desgaste”, dizem pesquisadores do Copenhagen Centre for Health Research in the Humanities, ligado à Universidade de Copenhagen. O mundo corporativo já lida com duas síndromes bastante conhecidas. A do impostor, citada pela primeira vez em 1978 e associada a um sentimento de mulheres bem-sucedidas que se viam como uma fraude, aponta para uma discrepância entre o reconhecimento externo e o julgamento interno. A do burnout, ou esgotamento, é provocada pelo excesso de trabalho e cobrança e leva a um estado de exaustão extrema.

Por sua vez, na “Síndrome do desgaste” (em inglês, “worn-out”), profissionais maduros, ainda que tenham consciência do seu valor, começam a se preocupar em como são vistos por seus pares, muitas vezes achando que talvez não tenham mais as habilidades necessárias para continuar executando suas funções.
As mensagens que a sociedade como um todo envia são tão poderosas que acabam sendo introjetadas. Comentários do tipo: “afinal, quando você vai se aposentar?” sempre soam discriminatórias – e são! Funcionam como uma crítica velada de que as pessoas são menos produtivas, engajadas ou passaram da idade para ocupar sua posição. Os pesquisadores listaram as três situações mais frequentes da “Síndrome do desgaste”:

  1. O temor de não se sentir tão capaz quanto antes para atender às expectativas que envolvem a atividade. Nesse caso, há semelhanças com a síndrome do impostor, no que diz respeito ao sentimento de inadequação.
  2. A preocupação de que colegas e chefes possam estar avaliando negativamente seu desempenho, mesmo quando o indivíduo acredita que domina em sua competência. Os pesquisadores atribuem o quadro ao conceito de metaestereótipos de idade, isto é, a pessoa se angustia com o que acha que os outros estão pensando.
  3. O receio de não perceber o momento de parar é como um fantasma ameaçador: o medo é de um declínio futuro e, principalmente, da falta de consciência da situação.

O estudo foi realizado entre 2019 e 2021, com trabalhadores da indústria e do mercado financeiro – esses últimos eram os mais afetados. Nas entrevistas realizadas, ficou patente a angústia de estarem sendo julgados como ultrapassados por seus pares, em reflexões como: será que não está na hora de sair de cena? Vou conseguir acompanhar as mudanças e atender às expectativas? Meus companheiros e chefes me alertarão se tiver chegado a ocasião? Estou me expondo ao continuar? Não há respostas fáceis, mas ajudaria muito se as empresas se empenhassem em incluir os funcionários idosos nos programas de treinamento e reciclagem, mostrando que apostam neles.

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