O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano (PT), anunciou hoje sua saída do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada em meio aos preparativos para uma possível candidatura ao mandato-tampão de nove meses para governador do estado.
Essa movimentação acontece em antecipação à expectativa de renúncia do atual governador, Cláudio Castro (PL), nos próximos dias, o que abrirá caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa (Alerj).
Segundo informações de bastidores, a renúncia de Castro pode ocorrer já na próxima segunda-feira, visando evitar possíveis impedimentos legais e viabilizar uma candidatura ao Senado nas eleições de outubro.
Se a renúncia for confirmada, será responsabilidade dos 70 deputados estaduais da Alerj elegerem, de forma indireta, o novo governador, que permanecerá no cargo até o final de 2026.
A eleição indireta se tornou necessária devido à saída do vice-governador eleito, Thiago Pampolha, em 2025, quando assumiu uma posição no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Ceciliano ocupava anteriormente o cargo de Secretário de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, uma função crucial na articulação política do governo federal. Seu nome é considerado uma das principais apostas do PT e do Palácio do Planalto para a disputa no Rio, tirando o controle estatal das mãos do grupo de Castro durante o período eleitoral.
No início do ano, aliados vinham encorajando o ex-deputado estadual a se preparar para uma possível eleição indireta, cenário que agora se fortalece com a iminente saída de Castro.
Apesar da movimentação política, uma decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode representar um obstáculo para a candidatura de Ceciliano. Fux determinou a suspensão de partes da lei aprovada pela Alerj para regular a eleição indireta, incluindo a redução do prazo para desincompatibilização para 24 horas antes do pleito.
A decisão de Fux foi baseada na necessidade de um prazo mínimo de seis meses para que ocupantes de cargos no Executivo deixem suas funções antes de concorrerem a uma eleição. Isso afeta diretamente Ceciliano e outro nome cogitado para a disputa, o ex-secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL).
O julgamento de Castro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem continuidade prevista para terça-feira, com uma atual votação de 2 x 0 a favor da condenação do governador por contratação irregular de cabos eleitorais em sua reeleição em 2022.
Enquanto a liminar de Fux está pendente de análise pelo plenário do STF, as regras aprovadas pela Alerj que previam votação aberta e prazo reduzido para desincompatibilização continuam suspensas. Nos bastidores, aliados de Ceciliano e de Castro especulam a possibilidade de revisão da decisão, o que poderia permitir as candidaturas para o mandato-tampão.
A saída de Ceciliano do governo federal indica sua disposição de entrar na disputa, desde que haja base jurídica para isso.
