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BR-393: A Rodovia do Aço entre Rio e Minas enfrenta abandono crítico com buracos e acidentes fatais

BR-393 entre Rio e Minas enfrenta abandono crítico com buracos, acidentes fatais e 28 mortes em 2025. Investimento de R$ 317 milhões necessário.
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Amanda Clark

A Situação Crítica da BR-393: Entre Rio e Minas Gerais

A BR-393, oficialmente conhecida como Rodovia Lúcio Meira ou Rodovia do Aço, atravessa uma fase crítica de deterioração que coloca em risco a vida de motoristas, passageiros e pedestres. Com aproximadamente 200 quilômetros de extensão, a via corta oito municípios: Além Paraíba em Minas Gerais, e Sapucaia, Três Rios, Paraíba do Sul, Rio das Flores, Vassouras, Barra do Piraí e Volta Redonda no Rio de Janeiro. Apesar de sua importância estratégica para o transporte de cargas e acesso a cidades históricas do Vale do Café fluminense, a rodovia tornou-se uma verdadeira armadilha para quem a utiliza diariamente.

Deterioração Progressiva: Quando Começou o Abandono

Os problemas da BR-393 se intensificaram significativamente a partir de junho do ano passado, quando o governo federal encerrou a concessão da empresa K-Infra, responsável pela manutenção desde 2018. A gestão foi transferida para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão que desde então tem enfrentado dificuldades em manter a qualidade da via.

Características Físicas da Deterioração

Os levantamentos realizados pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) revelam dados alarmantes sobre o estado da rodovia. Aproximadamente 78,3% da extensão da BR-393 apresentam trincas ou remendos mal executados. Além disso, 20,3% da superfície encontram-se desgastadas, com aspereza superficial no asfalto, e 1% possui buracos ou afundamentos graves. O trecho mais crítico situa-se em Barra do Piraí, onde é possível contar até 14 desníveis concentrados em um único ponto.

Riscos Específicos para Diferentes Usuários da Via

Motoristas de Cargas Pesadas

Os caminhoneiros enfrentam perigos específicos ao circular pela BR-393. José Carlos Lima dos Santos, caminhoneiro de 35 anos que transporta estireno, uma matéria-prima química para produção de plásticos, relata o medo constante. Para profissionais como ele, os buracos representam riscos de tombamento, capotagem e, no caso de cargas perigosas, possíveis explosões e incêndios em caso de colisão.

Pedestres e Usuários de Transportes Públicos

A situação também é preocupante para pedestres. Tatiana Mariana Lima, administradora de 44 anos e paciente oncológica que necessita se deslocar três vezes por semana para tratamento de câncer, relata o medo ao aguardar ônibus no ponto de parada. Com um acostamento em péssimo estado, repleto de mato alto e poças d'água, usuários do transporte público se veem vulneráveis aos riscos de atropelamento quando as carretas precisam desviar dos buracos.

Dados Preocupantes Sobre Infraestrutura

Conforme o levantamento da CNT, 47,7% da rodovia não possuem acostamento adequado, enquanto 21,2% necessitam de implantação de proteção de cabeceira. Surpreendentemente, 85% da via apresenta curvas perigosas, característica natural do terreno montanhoso que se agrava pela falta de manutenção apropriada.

Acidentes e Vítimas: A Consequência do Abandono

Números Alarmantes

Os dados estatísticos evidenciam a gravidade da situação. Em 2025, foram registrados 319 acidentes na BR-393, representando uma redução de 13,6% em relação a 2024 (369 acidentes). Porém, o número de mortes aumentou significativamente em 33,3%, passando de 21 para 28 óbitos. Três acidentes envolvendo carretas e motocicletas no início deste mês deixaram dois mortos, e em novembro do ano passado, a rodovia chegou a fechar por dez horas devido a colisão entre dois caminhões.

Padrões de Ocorrência

As colisões são o principal tipo de acidente, representando 64,3% dos casos. Invasão de contramão figura como a principal causa de mortes, responsável por 32,1% dos óbitos. A maioria dos acidentes ocorre aos sábados e domingos (15,7%), durante o dia (53%), enquanto a maioria das mortes acontece às segundas-feiras (25%), durante a noite (57,1%).

Soluções Temporárias Inadequadas

O Dnit tem recorrido a soluções paliativas para contornar a situação. Em diversos trechos, utiliza-se paralelepípedos, terra e cascalho como medidas emergenciais para tapar buracos. Operários relatam ter encontrado crateras com até 22 centímetros de profundidade, impedindo a passagem de carretas. Essas medidas provisórias frequentemente precisam ser refeitas dias após sua execução, como relatado por Robson Henrique Miranda, funcionário de oficina de carros na região.

Investimentos Necessários

A CNT estima que a recuperação completa da rodovia exigirá um investimento de R$ 317,8 milhões. Deste total, R$ 298,2 milhões serão necessários em ações de restauração, que incluem reforço ou substituição do pavimento. A manutenção com intervenções superficiais e preventivas demandará R$ 19,6 milhões adicionais.

Perspectivas Futuras e Medidas em Andamento

O Dnit informou estar realizando levantamento dos pontos críticos e elaborando um cronograma de intervenções prioritárias. Atualmente, executa reparos emergenciais através de operações de tapa-buracos e serviços de manutenção rotineira, como roçada e limpeza da pista. Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, enfatiza que a redução de acidentes depende de ações estruturadas e permanentes, com aplicação eficiente dos recursos públicos.

A BR-393 permanece como um alerta claro sobre a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura viária, especialmente durante períodos de movimentação intensa, como feriados prolongados. A combinação de terreno montanhoso natural com deterioração acelerada da via cria um cenário de risco que exige ação imediata e definitiva.

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