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BCE eleva juros pela primeira vez em 3 anos sob pressão inflacionária do conflito no Oriente Médio

BCE eleva juros pela primeira vez em 3 anos diante da pressão inflacionária causada pelo conflito no Oriente Médio e incertezas econômicas.
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Amanda Clark

Banco Central Europeu aumenta taxa de depósito em resposta à inflação

O Banco Central Europeu (BCE) implementou seu primeiro aumento de taxas de juros em quase três anos, sinalizando uma mudança significativa na política monetária europeia. A instituição chegou à conclusão de que não pode mais aguardar a resolução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, diante das crescentes pressões inflacionárias que ameaçam a economia da zona do euro.

A taxa de depósito foi elevada de 2% para 2,25%, uma decisão que se alinhou com as expectativas dos economistas e investidores. Esses agentes do mercado já projetam um novo aumento de 25 pontos-base em setembro, refletindo a percepção de que medidas adicionais serão necessárias nos próximos meses.

Incertezas econômicas e riscos inflacionários

Em seu comunicado oficial, o BCE reconheceu que as perspectivas econômicas continuam cercadas de incertezas significativas. A instituição destacou riscos de alta para a inflação, particularmente vinculados aos preços da energia, e riscos de baixa para o crescimento econômico. Os efeitos totais do conflito sobre a inflação e o crescimento no médio prazo dependerão da intensidade e duração do choque nos preços energéticos, bem como dos efeitos indiretos e de segunda ordem na economia.

Este aumento representa a primeira resposta de política monetária de um grande banco central ao aumento dos preços do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio. Com a guerra entrando em seu quarto mês, as autoridades da zona do euro temem que a inflação se espalhe para além do setor de energia, tornando-se mais resistente e difícil de conter apenas por um eventual acordo de paz.

Projeções trimestrais e dilema econômico

As novas projeções trimestrais do BCE indicam que os preços ao consumidor avançarão mais rapidamente neste ano do que anteriormente previsto, antes de retornarem à meta de 2% somente em 2028. Simultaneamente, as estimativas revelam o dilema central enfrentado pela instituição: enquanto combate a inflação, enfrenta uma desaceleração do crescimento econômico causada pela inflação em si e pelos custos mais altos de financiamento que afetam o poder de compra das famílias e empresas.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou durante entrevista coletiva em Frankfurt que a guerra no Oriente Médio está prejudicando a atividade econômica, com pesquisas apontando para desaceleração especialmente no setor de serviços. Segundo ela, o aumento dos preços da energia continuará impulsionando a inflação ao longo do verão europeu, mantendo-a bem acima da meta até o primeiro semestre de 2027.

Lições do passado e vigilância das expectativas

O BCE estava próximo de agir já em abril, com alguns de seus integrantes mais moderados sugerindo antes desta semana que praticamente não havia alternativa para a ação. A instituição mantém vívida a experiência de 2022, quando a invasão russa da Ucrânia provocou inflação recorde e o BCE foi acusado de reagir lentamente. Naquele episódio, a taxa de depósito chegou a 4% antes do início de um ciclo de cortes de juros em meados de 2024.

Desta vez, as autoridades observam com especial atenção as expectativas de inflação, que aumentaram consideravelmente entre consumidores e empresas. Alguns dirigentes temem que as pressões se intensifiquem devido aos danos à infraestrutura energética do Golfo e aos gargalos nas cadeias globais de suprimentos, criando um cenário mais persistente de alta de preços.

Divergência entre bancos centrais globais

Enquanto o BCE age, outras economias do Grupo dos Sete demonstram menos disposição para agir imediatamente. O Banco do Canadá manteve os custos de financiamento inalterados, enquanto o Federal Reserve dos Estados Unidos e o Banco da Inglaterra podem optar por manter os juros estáveis nas próximas semanas. O Banco do Japão, por sua vez, deve prosseguir com seu ciclo gradual de aperto monetário iniciado no ano passado, criando um cenário de política monetária divergente entre as maiores economias avançadas.

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