Tribunal Federal bloqueia tarifa global de Trump
Um tribunal federal de comércio dos Estados Unidos declarou ilegais as tarifas globais de 10% impostas pelo presidente Donald Trump em fevereiro. A decisão, proferida por um painel de três juízes do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA em Nova York, representa mais um obstáculo significativo para a política tarifária da administração americana, reforçando uma série de derrotas judiciais enfrentadas pelo governo.
A medida foi fundamentada em um pedido apresentado por um grupo de pequenas empresas e por vinte estados americanos, em sua maioria sob comando de governadores democratas. O tribunal atendeu ao pedido e bloqueou imediatamente a aplicação das tarifas contra as duas empresas que moveram a ação e contra o estado de Washington.
Fundamentação legal questionada
Trump havia imposto as taxas de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, um dispositivo que nunca havia sido utilizado anteriormente para justificar medidas tarifárias de tal magnitude. Essa escolha de fundamentação legal agora se mostrou problemática frente à análise dos magistrados federais, que consideraram a medida extrapolação da autoridade presidencial.
Histórico de reveses judiciais
Esta decisão marca o mais recente capítulo de uma sequência de derrotas judiciais enfrentadas pela administração Trump em sua tentativa de impor tarifas sem aprovação do Congresso americano. Alguns meses antes, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia anulado tarifas anteriores impostas pelo presidente, fundamentadas em outra legislação: a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
Naquele caso histórico de 20 de fevereiro, os ministros da Corte Suprema concluíram que Trump excedeu sua autoridade constitucional, uma decisão que desencadeou uma verdadeira corrida judicial de importadores em busca de reembolsos que totalizavam quase US$ 170 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 850 bilhões.
Próximos passos legais
O Departamento de Justiça dos EUA tem a possibilidade de contestar a nova decisão do tribunal comercial, levando o caso ao Tribunal de Apelações do Circuito Federal dos EUA. Porém, as perspectivas não são favoráveis ao governo, já que esse tribunal de apelações decidiu contra a administração Trump na disputa tarifária anterior, estabelecendo um precedente desfavorável.
A sequência de decisões judiciais contrárias evidencia o embate entre os poderes executivo e judiciário sobre os limites da autoridade presidencial em matérias de política comercial. Essas batalhas legais têm implicações significativas não apenas para empresas americanas, mas também para as relações comerciais internacionais e para a economia global como um todo.
