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Ypê acumula mais de 230 reclamações por demora em reembolsos um mês após recall da Anvisa

Ypê acumula 230 reclamações por demora em reembolsos após recall da Anvisa. Consumidores enfrentam atrasos significativos no ressarcimento de produtos afetados.
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Amanda Clark

Consumidores enfrentam atrasos significativos no ressarcimento após interdição de produtos

Um mês depois da interdição pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de diversos lotes de 24 produtos fabricados pela Ypê, a empresa tem enfrentado críticas crescentes pela demora no processo de ressarcimento aos consumidores que tentam devolver os itens afetados pela medida regulatória.

Segundo dados coletados na plataforma ReclameAqui, que conecta clientes insatisfeitos com produtos e serviços às empresas, foram contabilizadas pelo menos 230 reclamações somente nos últimos sete dias de consumidores que realizaram solicitações de reembolso e registraram atrasos no atendimento. Apesar de responder com certa regularidade, a avaliação da empresa é considerada insatisfatória pela plataforma especializada em reclamações.

Dados do Procon revelam dimensão do problema

O Procon de São Paulo informou que, exclusivamente no último mês, 415 consumidores registraram reclamações relacionadas à Química Amparo nos canais de atendimento de defesa ao consumidor do Estado. Desse total, 117 reclamações foram especificamente sobre o recall, envolvendo dúvidas sobre como aderir ao processo de devolução, enquanto outras 109 reclamações referiram-se à dificuldade de contato ou demora no atendimento pela empresa.

A situação se intensifica quando se considera que a empresa não tem respondido adequadamente às solicitações dentro de prazos razoáveis, deixando consumidores sem informações claras sobre quando receberão seus reembolsos.

Experiências variadas dos consumidores no processo de devolução

Apesar do volume expressivo de reclamações sobre atrasos, alguns clientes relatam sucesso parcial, embora ainda enfrentem dificuldades significativas. Larissa Lopes, auxiliar de coordenação pedagógica, preencheu o formulário de devolução no dia 7 de maio, exatamente quando a Anvisa tomou a decisão de interdição. Ela comprou cinco produtos da marca, todos com o algarismo 1 no final do lote.

Segundo seu relato, alguns produtos não estavam disponíveis para preenchimento no formulário do site da empresa. Dos dois lava-louças que conseguiu registrar, ela recebeu o estorno apenas dos dois produtos após várias semanas. O reembolso recebido foi de apenas R$ 5,98 pelos detergentes, consideravelmente inferior ao valor de R$ 25 que havia pago pelo sabão líquido para roupas. Larissa afirma ter preenchido formulários adicionais por e-mail, fornecendo seus dados de Pix, mas nunca retornou ao SAC para reclamar dos valores incompletos.

Dificuldades na identificação de produtos afetados

O processo se complicou ainda mais pelo fato de que nem todos os produtos comprados pela consumidora estavam inicialmente listados no sistema de devolução, causando confusão e frustração. De acordo com a lista oficial divulgada pela Anvisa, o modelo específico do sabão para roupas que Larissa tentou devolver estava efetivamente incluído no recall, evidenciando falhas no sistema de processamento da empresa.

Testes laboratoriais buscam reversão do recall

Enquanto as reclamações aumentam exponencialmente, a Ypê conduz testes nos itens do lote suspenso que poderiam resultar na liberação para comercialização e uso novamente. As análises estão sendo realizadas por laboratórios devidamente credenciados pela Anvisa.

Em seu comunicado mais recente, a Ypê orientou os consumidores a guardarem produtos da lista de recall que possuam o final do lote com o número 1 e foram produzidos antes de março. Esses itens passam por testes laboratoriais que, se aprovados pela Anvisa, poderão ser reautorizados para comercialização e uso pelos clientes.

Falta de respostas da empresa

Procurada pela reportagem, a Ypê não respondeu imediatamente aos questionamentos sobre o número total de reclamações recebidas ou qual é a média de tempo entre o registro da solicitação pelos clientes e o processamento da devolução. A empresa também não esclareceu por que, no caso específico de Larissa, um dos itens sob recall não foi reembolsado adequadamente.

O GLOBO tentou obter uma resposta institucional da empresa através de sua assessoria de imprensa desde 28 de maio, além de solicitar entrevista com um porta-voz. Diante da ausência de respostas, a reportagem entrou em contato com o diretor de Operações da marca, Eduardo Beira, mas também não obteve retorno a esse pedido.

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