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China estuda guerra EUA-Irã para preparar estratégia militar contra Taiwan e Indo-Pacífico

China analisa guerra EUA-Irã para ajustar estratégia militar contra Taiwan. Estude lições sobre defesa aérea, custos e adaptabilidade táctica.
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Amanda Clark

Lições militares do Oriente Médio guiam estratégia chinesa

Estrategistas militares da China acompanham atentamente o conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, buscando extrair lições valiosas que possam informar seus cálculos estratégicos para um eventual confronto na região do Indo-Pacífico. A análise chinesa concentra-se tanto no desempenho militar americano quanto nas táticas de resistência iranianas, especialmente considerando cenários prioritários como o controle de Taiwan e a segurança regional.

A observação do conflito tem se mostrado particularmente relevante para os planejadores militares de Pequim, que buscam compreender como potências militares modernas enfrentam adversários que utilizam tecnologia convencional de menor custo, incluindo drones e mísseis de alcance médio. O governo chinês tem investido bilhões em modernização de seu arsenal, incluindo drones de baixo custo, caças de quinta geração, mísseis hipersônicos e bombardeiros furtivos.

O alto custo de guerras de alta intensidade

Uma das principais lições observadas pelos analistas chineses refere-se aos custos extraordinários envolvidos em conflitos de alta intensidade. Mesmo diante da superioridade militar americana, os Estados Unidos enfrentaram pressão significativa pelo alto consumo de munições de defesa antiaérea para neutralizar a retaliação iraniana. Os ataques iranianos, realizados com drones e projéteis relativamente econômicos, forçaram o Comando Central americano a deslocar modernas baterias do sistema THAAD da Coreia do Sul para bases regionais.

Craig Singleton, pesquisador sênior da Fundação para a Defesa das Democracias, destacou um ponto crítico: vitórias táticas não equivalem necessariamente a resultados políticos duradouros. Para a China, essa constatação reforça que o sucesso no campo de batalha não produz automaticamente o resultado político desejado.

O gargalo entre demanda por itens específicos e capacidade de produção, já evidenciado na guerra da Ucrânia, ganhou nova dimensão. A Marinha americana evitou trafegar com navios de guerra pelo Estreito de Ormuz para mantê-los fora do alcance dos projéteis iranianos, reconhecendo que o custo de perder uma embarcação seria inestimável.

Importância crítica das defesas aéreas

Fontes chinesas revelaram preocupações sobre o desequilíbrio entre capacidades ofensivas e defensivas em seu arsenal militar. Fu Qianshao, ex-coronel da Força Aérea chinesa, alertou que portos, infraestruturas essenciais e instalações industriais estariam expostos em caso de confronto com um adversário de peso como Washington. A análise demonstra que a China reconhece a necessidade de dedicar esforços significativos para identificar fragilidades defensivas e proteger eficazmente suas principais instalações.

Adaptabilidade táctica e falta de experiência em campo

A dinâmica do conflito no Oriente Médio também revelou a importância crítica da adaptabilidade táctica. As forças americanas reforçaram defesas após ataques iranianos, mantendo simultaneamente seus planos estratégicos mais amplos. Para a China, essa observação é particularmente relevante, pois o Exército de Libertação Popular possui apenas conhecimento teórico sobre como reagir sob fogo inimigo real, dada a ausência de engajamento direto em conflitos nas últimas décadas.

Analistas também apontam que o expurgo de comandantes militares promovido por Xi Jinping, embora alegadamente focado no combate à corrupção, pode afetar a prontidão das tropas chinesas, potencialmente fragilizando a hierarquia militar.

Taiwan como prioridade estratégica

A dinâmica que mais atrai a atenção dos estrategistas chineses é a disputa pelo Estreito de Ormuz, que projeta cenários similares para o Estreito de Taiwan. Embora as características geográficas diferem, ambas as rotas possuem peso geopolítico significativo. Taiwan, que reivindica independência rejeitada por Pequim, aprovou um orçamento especial de defesa de US$ 25 bilhões, com grande parte destinada a sistemas defensivos americanos, incluindo tecnologia antidrone.

A vulnerabilidade energética de Taiwan é particularmente reveladora. A ilha importa aproximadamente 96% de sua energia e mantém uma reserva estratégica capaz de sustentar apenas 11 dias sem fornecimento externo. Um bloqueio chinês do Estreito de Taiwan, com capacidade militar superior à do Irã, poderia sufocá-la economicamente. Essa realidade impulsiona Taiwan a buscar autossuficiência energética até 2034, aprendendo com as lições do conflito no Oriente Médio.

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