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Mendonça aguarda pareceres de PF e PGR para decidir entre Papuda e prisão domiciliar de Vorcaro

Mendonça aguarda pareceres de PF e PGR para decidir futuro de Vorcaro entre prisão na Papuda ou domiciliar
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Amanda Clark

Decisão sobre custódia de Daniel Vorcaro depende de manifestações oficiais

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), está aguardando os pareceres formais da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de tomar uma decisão definitiva sobre o futuro do empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master. A análise em questão envolve duas possibilidades: o retorno de Vorcaro ao presídio da Papuda, em Brasília, ou a concessão de prisão domiciliar.

Posições divergentes sobre a custódia do investigado

A situação atual reflete um impasse processual entre os órgãos envolvidos. De um lado, a Polícia Federal apresentou uma solicitação formal em 24 de abril pedindo a transferência de Vorcaro para o presídio da Papuda. Do outro lado, a defesa do investigado solicitou a conversão da prisão em domiciliar, argumentando que houve cumprimento de obrigações processuais com a entrega de material relacionado a uma proposta de acordo de delação premiada.

Interlocutores do ministro Mendonça ouvidos pela imprensa revelam que o magistrado pretende analisar ambos os pleitos apenas após receber as manifestações formais dos órgãos competentes. Esse procedimento garante que a decisão seja baseada em argumentos técnicos e jurídicos sólidos de todas as partes envolvidas.

Contexto das investigações contra Vorcaro

Daniel Vorcaro é alvo de investigações por um suposto esquema de fraudes estimado em R$ 12 bilhões envolvendo operações do Banco Master. Sua primeira prisão ocorreu em novembro de 2025, quando foi detido ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai, circunstância interpretada pela PF como tentativa de fuga do país.

Posteriormente, Vorcaro foi liberado semanas depois, mas voltou a ser preso em março do ano atual, dessa vez sob a relatoria do ministro André Mendonça. Na ocasião, o ministro acolheu argumentos da Polícia Federal de que o empresário atuaria como líder de uma organização criminosa dedicada a monitorar e intimidar pessoas que contrariavam os interesses do banco.

Propostas de delação premiada e entraves processuais

Apesar de negar o cometimento dos crimes, a defesa de Vorcaro passou a negociar um acordo de colaboração premiada. No início desta semana, material referente à proposta foi entregue à PF e à PGR, reabrindo a discussão sobre as condições de custódia do investigado.

Contudo, após uma primeira análise do material apresentado, os investigadores classificaram como "insuficientes" os detalhes fornecidos pelo banqueiro. A Polícia Federal deixou evidente que não pretende formalizar o acordo de colaboração caso Vorcaro não forneça informações inéditas e detalhadas sobre as irregularidades praticadas pelo Banco Master.

Status atual da custódia e próximas etapas

Atualmente, Vorcaro permanece preso nas dependências da superintendência da PF no Distrito Federal. A definição sobre uma eventual transferência para a Papuda ou a concessão de prisão domiciliar dependerá exclusivamente das manifestações oficiais da PGR e da própria Polícia Federal, seguidas pela decisão final do ministro Mendonça.

O magistrado já sinalizou a seus auxiliares a necessidade de aguardar os argumentos completos dos órgãos de investigação antes de proferir qualquer decisão. Esse posicionamento reflete a complexidade do caso e a importância de fundamentar juridicamente a escolha entre as duas modalidades de custódia.

Esclarecimentos do gabinete ministerial

Na quinta-feira, o gabinete de Mendonça divulgou uma nota formal esclarecendo que o magistrado não teve acesso ao conteúdo da proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do empresário. O comunicado enfatiza que "quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento". A manifestação ocorreu após a entrega formal do material aos órgãos de investigação, realizada na quarta-feira.

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