Depois de 15 anos entre obras, paralisações e retomadas, o novo Museu da Imagem e do Som começa finalmente a receber o público a partir deste próximo sábado (28/03), na orla de Copacabana. A abertura, no entanto, será feita por etapas, e já tem regras para quem quiser visitar.
Neste primeiro momento, o acesso será gratuito, mas mediante agendamento prévio pela internet. O público poderá conhecer apenas uma área específica do prédio: o mezanino do térreo, onde estreia a exposição temporária “Arquitetura em Cena: o MIS antes da imagem e do som”, dedicada justamente ao processo de construção do museu.
Como visitar o MIS neste início
A visitação começa de forma controlada. Para entrar, será necessário fazer cadastro online antecipadamente, já que o acesso será limitado e organizado por horários. Além da exposição, o espaço contará com uma programação paralela logo na largada. Está prevista, por exemplo, a corrida “MIS a MIS”, ligando a unidade da Praça Quinze ao novo prédio em Copacabana, com expectativa de três mil participantes.
A partir de abril, o público terá novas possibilidades de visita. Estão previstas visitas guiadas ao terraço, um dos pontos mais aguardados do projeto, onde fica uma estrutura envidraçada em formato triangular com vista para a orla e cartões-postais da cidade, como o Pão de Açúcar. Também estão programados shows ao longo do mês, ampliando o uso do espaço mesmo antes da conclusão total do museu.
Apesar da estreia, o funcionamento pleno do museu ainda deve levar alguns meses. A previsão do governo do estado é concluir as obras até o fim de abril, mas a etapa de museografia, responsável pela montagem das exposições e experiências, deve se estender por cerca de seis meses.
O projeto prevê um espaço dedicado a pesquisadores, com acesso ao acervo do museu, que está em processo de digitalização, além de restaurante panorâmico, a boate Noites Cariocas e um cineteatro. No rooftop, um telão de grandes proporções exibirá filmes a partir de projeções feitas do interior da estrutura envidraçada no topo do prédio. Áreas ao ar livre, como gramado e jardim suspenso, completam o conjunto e ampliam as possibilidades de permanência no espaço.
Em obras desde 2011
O novo MIS começou a sair do papel ainda em 2008, com a desapropriação do terreno onde funcionava a boate Help. O projeto arquitetônico, inspirado no desenho do calçadão da Avenida Atlântica, foi desenvolvido pelo escritório americano Diller Scofidio + Renfro, responsável também pela High Line, em Nova York. As obras tiveram início em 2011, mas foram interrompidas em 2016, em meio à crise financeira do estado, e só retomadas anos depois.
De acordo com informações do Estado, o investimento previsto chega a R$ 345 milhões, somando recursos públicos e patrocínios obtidos por meio de leis de incentivo, como a Lei Rouanet e a Lei do ICMS. Já levantamentos citados pela Folha de S.Paulo indicam que o valor final da obra é incerto, em razão dos sucessivos atrasos e contratos firmados ao longo dos anos. O orçamento inicial, estimado em R$ 70 milhões em 2009, teria ultrapassado R$ 190 milhões.
Relatórios do Tribunal de Contas do Estado e das empresas envolvidas apontam que parte da demora estaria associada às condições encontradas no canteiro de obras após os períodos de paralisação. Entre os problemas registrados em 2024 estiveram danos em painéis da fachada, corrimãos enferrujados e espelhos danificados.
