Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência revela o isolamento político do senador. Após sucessivas tentativas de estabelecer alianças com partidos de centro, Flávio optou por manter um nome dentro de sua própria sigla, fechando ainda mais suas possibilidades de diálogo com eleitores fora do campo da direita.
De acordo com assessores petistas, Gaspar não é um político com imagem nacionalizada, apesar de sua atuação como relator da CPI do INSS no Congresso, investigação que apurou fraudes contra aposentados e pensionistas. A escolha do deputado, em seu primeiro mandato, foi interpretada como uma tentativa estratégica de colocar o caso INSS no centro do debate eleitoral, visando prejudicar a imagem da gestão petista e do próprio Lula.
Monitoramento da campanha petista sobre o caso INSS
Integrantes da campanha lulista reconhecem que adversários explorarão o escândalo do INSS, especialmente relacionando-o a figuras próximas ao presidente, como seu filho Lulinha e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A campanha monitora de perto as possíveis consequências desses ataques. No entanto, afirmam que possuem elementos para atrelar o escândalo também ao governo Bolsonaro e seus aliados.
Segundo a narrativa petista, foi por determinação de Lula que o tema passou a ser investigado e os lesados foram reembolsados. O foco da contra-ofensiva está no advogado Willer Tomaz, alvo de operação da Polícia Federal durante a semana no âmbito das investigações sobre um esquema bilionário de desvio de aposentadorias do INSS. Willer mantém proximidade com Flávio Bolsonaro, relação que deverá ser amplamente explorada pela campanha petista.
O isolamento de Flávio na direita política
Interlocutores do presidente destacam que partidos do centro optaram pela neutralidade nacional, apesar das sucessivas investidas de Flávio. Republicanos, PP, União Brasil e MDB mantêm-se neutros, sinalizando o isolamento do senador na direita, justamente quando Lula conseguiu consolidar apoio de siglas de esquerda. Aliados petistas reforçam que Alfredo Gaspar representou a última opção disponível para Flávio, fato que será utilizado para desgastá-lo politicamente.
O senador havia tentado atrair nomes como a senadora Tereza Cristina (PP) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, recém-filiada ao Republicanos, mas ambas recusaram. Houve também sondagens junto à presidente do Podemos, Renata Abreu, mas o partido declarou neutralidade no pleito nacional.
A percepção petista sobre Tereza Cristina como vice
Um aliado de primeira hora de Lula observa que a escolha de um nome que dialogasse com o centro, como Tereza Cristina, poderia representar um grande revés para a campanha petista. Além de ser mulher, ela representa o agronegócio e teria capacidade comprovada de ampliar os votos de Flávio junto ao eleitorado de centro. Alfredo Gaspar, por outro lado, apresenta perfil combativo e alinhado ao bolsonarismo, com críticas frequentes ao Supremo Tribunal Federal e seus ministros, afastando qualquer sinalização de moderação que Flávio tentava construir.
Críticas ao perfil de Alfredo Gaspar
Petistas argumentam que em uma campanha acirrada, onde o bolsonarismo buscará pautas de costumes para prejudicar Lula, a escolha de um nome que é alvo de inquérito do STF por estupro de vulnerável representa um erro estratégico grave. Reforçam que Flávio vinha tentando sinalizar para o eleitorado feminino, que apresenta resistências ao seu nome, inclusive buscando escolher uma vice mulher. A seleção de Gaspar afasta ainda mais esse segmento.
Um aliado de Lula, sob anonimato, aponta que a escolha também beneficia o grupo político em Alagoas que estará ao lado do presidente, já que é um nome de direita que deixa a disputa eleitoral. Gaspar havia tido sua candidatura oficializada para uma vaga ao Senado.
Análise do secretário-executivo do PT
Henrique Fontana, secretário-executivo do PT, afirma que a escolha de Alfredo Gaspar evidencia o contraste entre um candidato à vice-presidência comparativamente com Geraldo Alckmin. Segundo ele, representa a escolha do que sobrou, demonstrando a fragilidade de Flávio, que demorou excessivamente para escolher e acabou optando pelo vice remanescente. Fontana destaca ainda que ambos representam a extrema-direita, o que não agrega valor à chapa, e ressalta as diferenças curriculares entre os candidatos a vice, enfatizando a experiência política e de gestão de Alckmin em comparação a Gaspar.
