Confronto político entre Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filiado ao PL, respondeu de forma incisiva às críticas lançadas pelo deputado Ricardo Salles, do partido Novo em São Paulo. A controvérsia ganhou proporções significativas após Salles questionar a decisão da legenda em apoiar André do Prado como pré-candidato ao Senado, movimento que conta com o respaldo de Eduardo Bolsonaro.
Em uma transmissão ao vivo realizada na segunda-feira (11), Eduardo Bolsonaro rebateu ponto a ponto os argumentos de Salles, caracterizando-o como uma "biruta de vento político" que "está virando meme" e pedindo maior maturidade ao adversário político. A troca de críticas revelou as tensões internas na direita paulista quanto à definição de candidaturas para o pleito eleitoral.
As acusações de Ricardo Salles
Ricardo Salles, que também se posiciona como pré-candidato ao Senado, questionou a indicação de André do Prado pela sigla. Em entrevista ao podcast IronTalks, realizada no sábado, Salles acusou Eduardo Bolsonaro de praticar irregularidades financeiras, chamando-o de "burro" e sugerindo que haveria envolvimento em negociações ilícitas. Além disso, Salles criticou Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, alegando práticas de corrupção durante gestão no Ministério dos Transportes.
O ponto mais polêmico das declarações de Salles refere-se à acusação de que a vaga senatorial teria sido vendida em troca de valores significativos. Segundo Salles, Eduardo Bolsonaro participaria de esquema envolvendo repasses que variariam entre R$ 20 milhões e R$ 60 milhões para apoiar a candidatura de Prado. O ex-ministro também questionou por que o governador Tarcísio de Freitas teria rejeitado Prado como vice-governador, caso não houvesse suspeitas sobre sua idoneidade.
Defesa de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro enfatizou que Salles "partiu para a calúnia" ao fazer tais acusações. O filho de Jair Bolsonaro reconheceu que precisava responder, mas afirmou que não processaria Salles por chamá-lo de corrupto, solicitando, porém, que apresentasse provas de qualquer "acordo financeiro" entre ele e André do Prado.
Na resposta, Eduardo argumentou que Salles está prejudicando sua própria carreira política com suas atitudes. Destacou que, enquanto ele se posiciona como primeiro suplente da chapa, Salles mantém uma postura de isolamento estratégico, o que, segundo Eduardo, evidencia que o ex-ministro não "joga para o grupo". O ex-deputado também rebateu insinuações de que teria desaparecido, mencionando que André do Prado e Valdemar Costa Neto visitaram os Estados Unidos três vezes neste ano para convencê-lo a apoiar a candidatura.
Ataques adicionais e posicionamentos
Eduardo utilizou sua transmissão para atacar também o vereador Pablo Almeida, de Belo Horizonte, aliado do deputado Nikolas Ferreira. Criticou duramente Pablo por compartilhar trechos de seus vídeos fora de contexto, particularmente uma frase sobre a mortalidade de seu pai, que teria sido interpretada como falta de consideração pelo progenitor.
O ex-deputado aproveitou para reivindicar crédito por ações realizadas nos Estados Unidos, citando a sanção ao ministro Alexandre de Moraes através da Lei Magnitsky e o crescimento eleitoral do irmão Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais como resultados de seu trabalho de divulgação internacional.
Resposta de Ricardo Salles
Após a transmissão de Eduardo, Salles afirmou que evitaria novas discussões públicas com o ex-deputado. Reafirmou sua pré-candidatura ao Senado, deixando aberta apenas a possibilidade de desistência caso Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo, fosse indicado em lugar de André do Prado. Salles defendeu suas credenciais políticas, citando seu histórico como secretário em São Paulo e sua votação expressiva como deputado federal.
O ex-ministro do Meio Ambiente criticou a indicação de Prado como conveniência do Centrão, ressaltando que não transigirá com essa política de alianças. Salles também relembrou seu histórico de saída do PL anterior, mencionando que sua filiação anterior ocorreu por lealdade a Jair Bolsonaro e não ao comando de Valdemar Costa Neto, cujo histórico ele questiona como genuinamente de direita.
