Terceira mudança na chapa de Garotinho para o governo do Rio
Anthony Garotinho (Republicanos) realiza sua terceira troca de vice na campanha para o governo do Rio de Janeiro. Após as saídas do coronel da reserva Venâncio Moura (DC) e da major Elaine Gonçalves (Democrata), o ex-governador definiu André Monteiro, ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), como novo companheiro de chapa, reforçando seu discurso de segurança pública.
A trajetória das mudanças na candidatura
A instabilidade na composição da chapa começou quando o Democracia Cristã (DC) decidiu apoiar o candidato Eduardo Paes (PSD) apenas três dias após a convenção de Garotinho. O coronel Venâncio Moura, que havia subido ao palco de mãos dadas com o candidato na Tijuca, reagiu pelas redes sociais afirmando ter sido traído pela legenda. Ele classificou a condução do processo como um "teatro" e acusou dirigentes do partido de disseminar "mentiras descaradas" sobre a aliança.
A saída da major Elaine Gonçalves
A segunda alteração ocorreu quando a major Elaine Gonçalves abandonou a candidatura. A saída aconteceu após vir à tona a informação de que a policial era sócia de Fábio Picanço, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio (Codin). Os dois são sócios da empresa Cromus Segurança e Vigilância Patrimonial Ltda., constituída em novembro de 2019 com sede em Paracambi, na Baixada Fluminense.
O próprio Garotinho havia levantado, em 2025, suspeitas sobre um esquema de corrupção envolvendo incentivos fiscais no estado durante a CPI do Crime Organizado do Senado, citando Picanço e apontando a participação da Codin. Em nota, a equipe da major afirmou que a Cromus "nunca recebeu qualquer incentivo fiscal, participou de licitações ou prestou serviços ao poder público". Nas redes sociais, Elaine explicou sua saída como uma decisão pessoal, sem citar diretamente Garotinho ou a campanha.
André Monteiro como novo vice
Com a escolha de André Monteiro, ex-integrante do Bope, Garotinho passa a ter um candidato a vice com trajetória na segurança pública. Na convenção, o candidato afirmou que sua primeira missão, caso eleito, seria "libertar o Rio de Janeiro" do tráfico, das milícias e da própria Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Garotinho defendeu ainda a criação de um "Bope 2.0", que manteria policiais nas comunidades pelo tempo necessário para retirar as facções dos territórios, em vez de realizar operações pontuais. Esta proposta busca diferenciar sua abordagem de segurança pública das estratégias tradicionais, focando em ações prolongadas e contínuas nas regiões mais afetadas pelo crime organizado.
Impacto das mudanças na campanha
As três trocas de vice demonstram instabilidade na composição da chapa e levantam questões sobre a solidez das alianças políticas firmadas. A candidatura de Elaine havia sido registrada no DivulgaCand, sistema de divulgação de candidaturas da Justiça Eleitoral, quando ela anunciou a desistência, evidenciando que as mudanças ocorreram mesmo após procedimentos formais estarem consolidados. Apesar dos desafios, Garotinho mantém seu foco na agenda de segurança pública como eixo central de sua campanha para governar o estado.
