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O sintoma pouco falado da depressão que desafia o tratamento

Este sintoma é conhecido como anedonia e está presente em até 75% dos adultos e jovens com depressão
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Amanda Omura

Costuma-se pensar que alguém que está deprimido irá se sentir triste ou desanimado na maior parte do tempo. Mas o que muitas pessoas não percebem é que estes não são os únicos sintomas da depressão.

Outro sintoma comum que, às vezes, é menosprezado é a sensação de que as coisas de que você costumava gostar não são mais interessantes ou prazerosas.

Este sintoma é conhecido como anedonia e está presente em até 75% dos adultos e jovens com depressão. Mas, mesmo sendo um sintoma comum, a anedonia ainda é de difícil tratamento e administração.

Perda de prazer
A anedonia é definida como a redução do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades antes apreciadas por uma pessoa.

Uma pessoa que sofre de anedonia por extenso período de tempo (consistentemente, por pelo menos duas semanas) pode ser diagnosticada com depressão, mesmo se não se sentir triste ou desanimada.

E, embora seja principalmente associada à depressão, a anedonia também pode ser um sintoma de outros transtornos, como a esquizofrenia, a ansiedade e o mal de Parkinson.

Meus colegas e eu realizamos entrevistas detalhadas com jovens sobre depressão. Muitos deles descreveram a anedonia não só como a perda da alegria, mas também como ter menos motivação para fazer as coisas.

Para alguns, esta falta de motivação foi relacionada apenas a ações específicas, como ir para a escola ou encontrar os amigos. Mas, para outros, era algo mais grave. Eles sentiam que não queriam fazer absolutamente nada – nem mesmo viver.

Mas, por mais perturbadora que possa ser a anedonia, ela muitas vezes não é o objetivo principal do tratamento da depressão.

Recomenda-se que casos leves de depressão sejam tratados com psicoterapia. E, para pessoas com casos moderados ou graves, pode-se prescrever antidepressivos.

Todos estes tratamentos pretendem ajudar os pacientes a lidar com os sintomas e superá-los, mas mais da metade das pessoas com depressão não reage ao primeiro tratamento recomendado. E, mesmo depois de alterar o tratamento, cerca de 30% dos pacientes ainda sentem seus sintomas.

Argumenta-se que uma razão dessas baixas taxas de reação pode ser o fato de que as técnicas atuais de tratamento não abordam adequadamente a anedonia.

Pesquisas também demonstram que sofrer de anedonia é um prenúncio de reincidência crônica da depressão. E é até possível que alguns tratamentos com antidepressivos possam agravar a anedonia.

Por que isso acontece? Uma possibilidade é que os atuais tratamentos padrão concentrem-se principalmente em tratar o humor depressivo e os processos cerebrais subjacentes ao desânimo, mas não a anedonia.

Mas, como a anedonia é a perda da alegria de viver, tratamentos como a ativação comportamental (uma forma de psicoterapia) poderiam funcionar melhor para a anedonia. Isso porque a ativação comportamental pretende ajudar as pessoas com depressão a tomar medidas simples e práticas para voltar a apreciar a vida.

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