Uma despedida inesperada no Dia dos Pais
"Eu achava que meu pai ia viver para sempre." Com essas palavras, Sven Rocha, filho mais velho de Alessandro Rocha, lembrou do pai no domingo que marcou o Dia dos Pais, um dia após a morte trágica do piloto na queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Alessandro pilotava a aeronave Robinson R44 que transportava três turistas colombianas, todas também vítimas do acidente.
O momento é particularmente doloroso para a família. No domingo, enquanto aguardavam a análise da arcada dentária para identificação do corpo no Instituto Médico-Legal (IML), Sven reviveu a última vez em que esteve com o pai. Isso ocorreu na quinta-feira anterior, quando pai e filho anteciparam a comemoração do Dia dos Pais com um churrasco em família, já que Sven não conseguiria estar presente no domingo.
O último encontro memorable
Naquele dia em quinta-feira, pai e filho passaram juntos preparando tudo para a celebração. Sven recordou cada detalhe: "Nós passamos no Guanabara, compramos uma carne, linguiça, pão e franguinho e fizemos um churrasco em família juntos, graças a Deus". Aquele momento, que parecia ser apenas um adiantamento de uma comemoração comum, tornou-se para sempre a última lembrança entre eles.
Sven descreveu seu pai com admiração e amor: "Eu achava que meu pai ia viver para sempre. Não idealizando algo, mas meu pai era uma pessoa muito viva. Ele falava com o porteiro, com o taxista, com a secretária, com todo mundo, com os empresários. Ele literalmente falava com todo mundo. Essa é a maior definição dele: vida, alegria. E ele amava o que fazia."
Uma carreira de mais de 20 anos na aviação
Alessandro era instrutor de voo há mais de 20 anos, acumulando uma experiência considerável no setor aeronáutico. Havia sido contratado pela empresa responsável pela aeronave aproximadamente um mês antes do acidente. Segundo Sven, o pai estava genuinamente feliz com essa nova oportunidade profissional, e a família havia celebrado recentemente sua contratação.
"Meu pai era instrutor há mais de 20 anos, acumulava muitas horas de voo. Desde sempre eu sou filho do comandante Rocha. Ele era um homem que não brincava, era sério no trabalho", afirmou Sven com orgulho. Além de Sven, Alessandro deixa dois filhos pequenos: Maria Antônia, de 2 anos, e Benício, de 3 meses.
O acidente que chocou o Rio
O helicóptero caiu na manhã de sábado em uma área de mata de difícil acesso próxima à Vista Chinesa. A aeronave, operada pela Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos Ltda., decolara do Aeroporto de Jacarepaguá para realizar um voo panorâmico. Além de Alessandro, morreram as turistas colombianas Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17 anos.
Os quatro corpos foram encontrados carbonizados em decorrência do impacto. Por causa das condições das vítimas, a identificação começou pela análise da arcada dentária. A retirada dos corpos mobilizou aproximadamente 40 militares do Corpo de Bombeiros, que utilizaram uma tirolesa para transportar os corpos pela mata até um ponto de acesso mais acessível.
Investigações em andamento
A Polícia Civil realizou perícia no local da queda e documentou todas as evidências. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) iniciou suas investigações para determinar as causas exatas do acidente. Ainda não há informações conclusivas sobre o que provocou a queda da aeronave.
Sven relatou o momento em que soube da tragédia: estavam almoçando com um amigo quando recebeu uma ligação. Pela voz do interlocutor, percebeu imediatamente que algo grave havia ocorrido. Pouco depois, viu a notícia na televisão. "Tinha uma televisão na frente e aí eu vi: 'acidente de helicóptero'. Eu falei: 'Meu pai morreu'", recordou com a dor de quem vivia aquele momento novamente.
