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Projeto social desenvolvido na Maré se expande levando esporte e educação para comunidades cariocas

Instituto Uevom oferece esporte, educação e assistência social em bairros como Maré, Pavuna, Campo Grande e Santa Cruz
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Amanda Clark

Há quase três décadas atuando em territórios marcados por desigualdades sociais, o Instituto Uevom vem ampliando sua presença em comunidades do Rio de Janeiro por meio de projetos que integram esporte, educação e assistência social. Fundada há 27 anos, a organização já impactou mais de 100 mil pessoas e hoje mantém iniciativas em diferentes regiões da cidade, com foco no acolhimento, na formação e no desenvolvimento de moradores em situação de vulnerabilidade.

Idealizado pelo líder comunitário conhecido como Seu Amaro, o projeto surgiu no Complexo da Maré, na Zona Norte carioca, com o objetivo de ampliar o acesso da população a serviços públicos e atividades esportivas. No início, o instituto administrava apenas a Vila Olímpica da região, que atualmente leva o nome do fundador. Seu Amaro esteve à frente da organização até 2021, ano em que faleceu.

Hoje, o Instituto Uevom gerencia sete projetos distribuídos pelo Complexo da Maré, Complexo da Pavuna, Irajá, Campo Grande, Praça Seca e Santa Cruz. Ao longo de sua trajetória, a organização ampliou significativamente sua atuação. Apenas em 2025, mais de 17 mil pessoas passaram a ser atendidas pelas iniciativas da instituição.

Para Cátia Simão, diretora técnica do instituto, o trabalho desenvolvido nas comunidades busca fortalecer vínculos sociais e criar oportunidades para moradores de diferentes faixas etárias.

“O Uevom sempre acreditou no poder da educação e da convivência para transformar a realidade dos territórios em que atua. Quando oferecemos acesso ao esporte, à educação e a atividades de convivência, criamos oportunidades para que as pessoas se sintam pertencentes e capazes de construir novos caminhos”, disse.

Entre as histórias que ilustram o impacto do projeto está a de Edna Andrade, de 43 anos. Técnica em administração, ela enfrentou um longo processo de recuperação após contrair Covid-19 em 2021. Edna passou quatro meses internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e precisou ser submetida a uma traqueostomia, depois de perder a capacidade de respirar sozinha.

As sequelas da doença comprometeram sua mobilidade e a fala, exigindo meses de reabilitação. Foi nesse contexto que a prática esportiva se tornou parte fundamental de sua recuperação.

Hoje, Edna participa das aulas de natação para pessoas com deficiência oferecidas pelo projeto Educar Pelo Esporte, desenvolvido na Vila Olímpica Seu Amaro. Para ela, o esporte tem sido um importante aliado no processo de reabilitação e recuperação da autonomia.

“O trabalho do Instituto Uevom faz toda a diferença para nós. O projeto vai muito além de cada diagnóstico e mostra um cuidado verdadeiro com as pessoas. Os profissionais são extremamente dedicados e atenciosos, sempre olhando para cada caso com sensibilidade”, afirmou.

Outra trajetória marcada pelo impacto da iniciativa é a da atleta Ana Letícia Silva, de 19 anos. Filha de mãe solo e atualmente sargento-atleta da Marinha, ela começou a frequentar aulas de karatê aos quatro anos de idade em um dos projetos vinculados ao instituto.

Aos 10 anos, foi convidada para integrar a equipe de karatê do Vasco da Gama, onde competiu por cerca de três anos, mantendo ao mesmo tempo os treinos e vínculos com o projeto Educar Pelo Esporte.

Após um período de afastamento durante a pandemia, Ana Letícia retomou os treinos e voltou a competir. Em 2024, conquistou o título dos Jogos Escolares Brasileiros, resultado que garantiu sua participação no Mundial Gymnasiade, realizado no Bahrein, onde se tornou campeã mundial.

O desempenho abriu portas para novos desafios. Em 2025, já na categoria adulta, a atleta garantiu vaga na Seleção Brasileira na categoria Sub-21 e se prepara agora para disputar a seletiva nacional em busca de uma vaga definitiva na equipe.

“O projeto é de extrema importância, porque dá sentido à vida de jovens que às vezes não têm algo para se dedicar. O contato com esses projetos sociais molda a vida de um ser humano e auxilia no caráter”, disse.

Nos últimos anos, o Instituto Uevom ampliou significativamente sua estrutura e o alcance das atividades. A organização passou de três projetos em 2021 para oito iniciativas em 2025, um crescimento de 167%.

No mesmo período, o número de colaboradores também aumentou de forma expressiva: a equipe passou de 102 profissionais para 385, praticamente quadruplicando a estrutura da instituição.

Atualmente, os projetos atendem crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência, além de oferecer atividades voltadas para famílias e moradores das comunidades atendidas.

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