Expulsão por Violação de Fidelidade Partidária
O partido Republicanos tomou a decisão de expulsar, por unanimidade, o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, após o político contrariar explicitamente as diretrizes da legenda ao declarar apoio público à candidatura de sua esposa, Sirlange Maganhato, que concorre a uma vaga de deputada federal pelo União Brasil. O processo disciplinar foi deflagrado após Manga publicar um vídeo gravado nas dependências do União Brasil em Sorocaba, no qual aparece ao lado de Sirlange e sinaliza claramente aos eleitores sua adesão completa à campanha da esposa.
A ação do prefeito foi enquadrada pela cúpula do Republicanos como uma violação grave das normas internas sobre fidelidade partidária. De acordo com o estatuto da sigla, estão previstos diferentes níveis de sanção para filiados com mandato eletivo que declarem, de forma explícita ou velada, alinhamento a nomes ou grupos cujas diretrizes colidem com os objetivos partidários. As penalidades variam desde advertência e suspensão até a expulsão, medida esta que foi aplicada no caso de Manga.
Posicionamento Firme do Prefeito
Durante toda a apuração do caso, Rodrigo Manga reafirmou constantemente seu apoio total e irrestrito à candidatura de Sirlange, deixando claro que não modificaria sua posição independentemente das consequências. Essa postura intransigente foi determinante para a decisão da junta disciplinar. O vereador paulistano André Santos, relator do processo, considerou que a atitude de Manga caracterizava um descumprimento flagrante das regras estatutárias da legenda, justificando assim a medida mais severa prevista no código disciplinar.
Investigações Criminais Paralelas
A saída de Manga do Republicanos ocorre em um contexto mais amplo de dificuldades legais para o prefeito. Simultaneamente, ele responde a investigações criminais relacionadas à sua gestão municipal. Em fevereiro, a Procuradoria Regional da República (PGR) apresentou denúncia formal contra Manga e outras 12 pessoas, acusando-os de participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, contratação ilegal e fraude em licitações.
A acusação tem origem na Operação Copia e Cola, conduzida pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de irregularidades graves em contratos da área da saúde no município de Sorocaba. A defesa do prefeito nega categoricamente todas as acusações e segue contestando os procedimentos.
Afastamento e Retorno ao Cargo
Rodrigo Manga foi afastado de suas funções como prefeito em novembro de 2025, durante o andamento das investigações. Entretanto, em março deste ano, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua recondução imediata ao cargo, decisão que foi posteriormente mantida pela Segunda Turma da Corte Suprema.
O caso de Manga exemplifica os conflitos que podem surgir quando interesses políticos pessoais, particularmente os de membros da família, entram em choque com as obrigações estatutárias de fidelidade partidária exigidas dos integrantes de legendas políticas.
