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Feminicídio: aprovado projeto que impede uso da ‘legítima defesa da honra’.

Proposta considera que argumentos utilizados por agressores tentam justificar violência contra a mulher
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Amanda Omura

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deu aval nesta quarta-feira (6) a um projeto de lei que impede a absolvição de réus que recorrerem à tese da legítima defesa da honra para justificar crimes de feminicídio.

O texto já foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública e teve o aval da CCJ em caráter terminativo. Com isso, se não houver recurso, o projeto segue direto para análise da Câmara dos Deputados. Para que a proposta seja votada no plenário do Senado antes de seguir para a Câmara, é necessário que ao menos nove senadores apresentem recurso à presidência da Casa.

A matéria reitera posição do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em março do ano passado, decidiu por unanimidade que a tese de legítima defesa da honra não pode ser aplicada em julgamentos nos tribunais do júri como argumento de defesa em casos de feminicídio. Para os onze ministros da Corte, a tese contraria princípios da Constituição.

Legítima defesa da honra
A legítima defesa da honra não tem base jurídica e não se confunde com o mecanismo da legítima defesa do Direito Penal, que permite a um cidadão rebater uma agressão injusta de outra pessoa, por meios moderados, na intensidade suficiente para cessar o perigo.

No entanto, em julgamentos realizados no tribunal do júri, como é o caso do feminicídio, é permitido ao réu exercer a chamada "plenitude de defesa", mais abrangente que a ampla defesa dos outros processos criminais.
Com isso, na prática, o réu pode utilizar qualquer argumento que permita sua absolvição, mesmo que a tese envolva uma questão que vai além do direito. Assim, é possível apelar para a clemência dos jurados, por exemplo. Nessa brecha, também passou a ser aplicada a tese da legítima defesa da honra.

Trava para que ‘algoz’ seja ‘heroi’
A autora do projeto, senadora Zenaide Maia (Pros-RN), afirmou que a inclusão da proibição no Código de Processo Penal dá segurança jurídica ao tornar explícita na legislação a impossibilidade do uso da tese da legítima defesa da honra no caso de feminicídio.

A senadora ressaltou ainda que “teses obsoletas” são apresentadas em tribunais para justificar a violência contra a mulher como atos “relacionados à defesa de valores morais subjetivos, como a anacrônica ‘honra do acusado’, que a todos repugna”.

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