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Investigação revela rastreamento de transações no exterior ligadas a Vorcaro durante negociação Master e BRB

Investigadores rastreiam transações no exterior ligadas a Daniel Vorcaro durante negociação entre Banco Master e BRB, com operações em Dubai.
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Amanda Clark

Investigadores mapeiam operações financeiras internacionais no caso do Banco Master

Investigadores que conduzem o caso do Banco Master estão rastreando transações realizadas no exterior vinculadas ao banqueiro Daniel Vorcaro durante a tentativa de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB). A apuração concentra-se no fluxo de recursos em paraísos fiscais e outras jurisdições com regulações menos rígidas para operações financeiras, buscando compreender a movimentação de fundos através de uma complexa teia de entidades.

Um dos destinos identificados pelos investigadores é Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Esta frente investigativa foi incorporada ao inquérito aberto em fevereiro, que examina suspeitas de gestão fraudulenta no BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal que apresentou proposta de aquisição do Master em março de 2025. O negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro do ano anterior, culminando com a liquidação da instituição dois meses depois e a prisão inicial de Vorcaro.

Acordo de delação premiada e cooperação com autoridades

O banqueiro atualmente negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Conforme reportado anteriormente, existe expectativa de que os anexos da colaboração sejam apresentados em aproximadamente duas semanas. Caso as negociações avancem conforme previsto, pessoas próximas ao caso indicam que Vorcaro precisará fornecer detalhes pormenorizados sobre operações conduzidas fora do território nacional.

Antes de iniciar o processo de colaboração, Vorcaro mantinha a negação de irregularidades, afirmando estar à disposição da Justiça. O banqueiro já assinou um acordo de confidencialidade com as autoridades competentes.

Mudanças administrativas no BRB e auditoria independente

A administração do BRB foi completamente reformulada no fim do ano anterior. O atual presidente da instituição, Nelson de Souza, substituiu quase toda a cúpula executiva, mantendo apenas dois diretores. Conforme declarado em entrevista, essa decisão baseou-se na alegação de que estes dois gestores não possuíam relação com o caso Master. Adicionalmente, todos os membros do Conselho de Administração, do comitê de auditoria e diversos superintendentes foram substituídos.

O inquérito analisa informações coletadas pela auditoria independente conduzida pelos escritórios Machado Meyer Advogados e pela consultoria Kroll, que examinaram falhas no processo de compra de carteiras com indícios de fraude do Banco Master pelo BRB. O documento de auditoria identifica 30 dirigentes da instituição como responsáveis, tendo o BRB decidido afastar todos eles. Investigadores também possuem acesso ao conteúdo de nove celulares de Vorcaro, contendo aproximadamente 8 mil vídeos e 400 GB de dados.

Suspeitas de crimes financeiros e valores envolvidos

Os investigadores apuram supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito denominadas "insubsistentes" do Master ao BRB. O valor inicial estimado foi de R$ 12,2 bilhões, podendo alcançar R$ 17 bilhões.

Relações políticas e envolvimento do ex-governador Ibaneis Rocha

Em depoimento realizado no fim do ano anterior, Vorcaro afirmou ter tratado com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a negociação envolvendo o Master e o BRB. Segundo sua declaração, houve contatos durante o período das tratativas, embora não tenha detalhado o conteúdo específico das conversas. Ibaneis negou qualquer discussão com Vorcaro sobre a operação. O ex-governador deixou o cargo para se candidatar ao Senado.

Informações anteriormente divulgadas indicam que Vorcaro manteve interlocução contínua com Ibaneis durante as negociações e relatava a pessoas próximas que havia desenvolvido uma rede de relações políticas em Brasília, afirmando ter feito "fortes amigos" e considerando esse apoio fundamental para sua posição no mercado financeiro. À Polícia Federal, declarou que Ibaneis visitou sua residência, e em conversas privadas mencionava que o então governador teria buscado informações sobre seu histórico político.

Contrato suspeito envolvendo precatórios e fundo ligado à Reag

Outro aspecto investigado envolve um contrato firmado pelo escritório de advocacia de Ibaneis no valor de R$ 38 milhões, destinado à venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada por participação no esquema de fraudes associado ao Banco Master. O negócio foi concluído em maio de 2024. Ibaneis afirmou, em nota oficial, estar afastado do escritório desde 2018 e não possuir informações sobre negociações realizadas posteriormente, negando participação em qualquer operação relacionada à Reag.

A gestora Reag, também liquidada pelo Banco Central, é apontada por investigadores como estrutura central no funcionamento do esquema fraudulento. Integra uma rede de fundos através da qual recursos captados em operações irregulares teriam sido distribuídos, dificultando significativamente a rastreabilidade e identificação dos destinatários finais dos valores.

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