Uma turnê histórica entre pai e filha
Aos 88 anos, Martinho da Vila anuncia sua última grande turnê, e desta vez ela terá um diferencial especial: contará com a participação de sua filha, Mart'nália, aos 60 anos. O projeto, intitulado "Pai e Filha – A última grande turnê de Martinho da Vila. A primeira turnê juntos", marca um momento singular na história da música brasileira, reunindo duas gerações de talento do samba em uma única apresentação.
O sambista e compositor não esconde o orgulho de trabalhar ao lado da filha. "Ela preenche o palco, ela dança, samba, canta. Eu só faço graça, no final do show eu dou um pulinho", brinca Martinho, reconhecendo o talento multifacetado de Mart'nália como cantora, compositora, percussionista e instrumentista versátil.
O reconhecimento mútuo entre artistas
Por sua vez, Mart'nália também reconhece as qualidades únicas de seu pai como artista. "Só ele que canta com embalo, com o sorriso e embalando todo mundo que está em volta. Basta ele e um pandeiro e todo mundo canta junto", afirma a filha, ressaltando o carisma incomparável de Martinho da Vila nos palcos.
A turnê será itinerante pelo Brasil, com 30 datas confirmadas que passarão por diversas cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Natal e Salvador. A abertura está marcada para 30 de maio no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, com ingressos já à venda.
Uma parceria que remonta à infância
A trajetória de Mart'nália começou de forma peculiar. Como ela mesma relata, não houve testes formais ou processos seletivos. Tudo começou quando Martinho simplesmente pediu para que ela cantasse com ele durante um show em São Paulo. "Primeira vez de cara foi uma pesada, estava cheio de gente", lembra ela com sorrisos da experiência que mudaria sua vida.
Mart'nália chegou a ser integrante da banda de seu pai do início dos anos 1980 até o início dos 2000, trabalhando como cantora e percussionista. Durante esse período, ela se desenvolveu como musicista, aprendendo as nuances da profissão e da vida de turnês ao lado de Martinho. "Não existia um patrão, eu era músico igual ao violonista Cláudio Jorge, igual a todo mundo. Não tinha essa coisa de ser filha", explica.
Sucesso solo e retorno para a turnê
Mart'nália deixou a banda de Martinho para dedicar-se à sua carreira solo, especialmente após o lançamento de seu segundo álbum, "Pé do meu samba" (2002), produzido por Caetano Veloso e Celso Fonseca. Seu pai, sempre apoiador, a incentivou: "Agora você vai ter que se virar aí com eles, baiano não dá muito mole para ninguém".
Com o tempo, Mart'nália conquistou seu próprio espaço na música brasileira, tornando-se uma estrela respeitada. Martinho não hesita em reconhecer esse sucesso: "Aí, ela foi acontecendo. Foi devagar, aos pouquinhos. Agora é a estrela da família! Eu sou o pai da Mart'nália, não canso de responder".
Planos futuros e legado musical
Além da turnê, Martinho está preparando um novo álbum com músicas inéditas, contando com composições de nomes como Gilberto Gil, Nei Lopes, Xande de Pilares, Jorge Ben Jor e Pedro Luís. As gravações devem começar em abril.
Mart'nália também está em fase de preparação de seu próprio álbum novo, misturando samba com influências pop. Ela recebeu até mesmo uma música de Gilberto Gil e de Martinho da Vila especialmente composta para ela.
A turnê "Pai e Filha" será documentada em um filme que capturará esse momento histórico. Para Martinho, essa será sua despedida das grandes turnês, marcando o encerramento de uma carreira brilhante na música brasileira. "Vou fazer esses 30 shows e é isso, mas a vida continua", afirma o sambista, que aos 90 anos, em 2028, planeja aproveitar mais a vida de forma tranquila.
