Linha 17 (Ouro) começa a operar ligando Congonhas ao Morumbi
Após mais de uma década de atrasos e promessas não cumpridas, a Linha 17 (Ouro) do Metrô de São Paulo foi finalmente inaugurada nesta terça-feira. O monotrilho conecta o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da Linha 9 (Esmeralda), na Marginal Pinheiros, representando o encerramento de um longo ciclo de obras inacabadas relacionadas à Copa do Mundo de 2014.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) presidiu a cerimônia de inauguração e fez críticas contundentes sobre o histórico de atrasos do projeto. De acordo com o governador, a obra atrasou por "má-gestão, ineficiência e corrupção". Ele comparou a estrutura inacabada a um "elefante branco" e fez uma brincadeira referenciando o Fuleco, mascote da Copa de 2014, afirmando que o animal estaria "bem velhinho" agora.
Operação inicial e perspectivas futuras
Nos primeiros meses, a linha funcionará em operação assistida, exclusivamente de segunda a sexta-feira, entre 10h e 15h, sem cobrança de tarifa. Os trens passarão a cada sete minutos. O horário de funcionamento será expandido gradualmente conforme a operação se estabilizar. Das oito estações previstas nesta primeira etapa, sete entrarão em operação imediatamente, enquanto a estação Washington Luís iniciará suas atividades apenas em junho.
Durante o evento, Tarcísio autorizou a licitação para a extensão da linha com mais quatro novas estações: Panamby, Paraisópolis e Américo Maurano (sentido oeste) e Vila Paulista (sentido leste). A conexão com a Linha 4 (Amarela) ficará reservada para uma terceira etapa do projeto.
Um projeto drasticamente reduzido
O monotrilho original, anunciado em 2011 pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB), tinha ambições muito maiores. O projeto inicial previa uma linha de 17,7 km com 18 estações, conectando o Jabaquara ao Estádio do Morumbi, passando por Paraisópolis, a maior favela de São Paulo, com investimento de R$ 3,1 bilhões.
A versão entregue agora é radicalmente menor: apenas 8,3 km com oito estações, custando R$ 5,8 bilhões. Proporcionalmente, tornou-se mais cara que o inicialmente previsto, chegando a aproximadamente R$ 698 milhões por quilômetro. A demanda estimada também foi reduzida drasticamente: 100 mil passageiros diários, significativamente menor do que qualquer outra linha do metrô paulista.
Histórico de fracassos contratuais e atrasos
A trajetória do monotrilho foi marcada por crises sucessivas. Em 2011, o consórcio formado por Andrade Gutierrez, CR Almeida e Scomi venceu a licitação. Porém, rapidamente surgiram problemas: a Scomi faliu, enquanto Andrade Gutierrez e CR Almeida tornaram-se alvos da Operação Lava Jato por suspeitas de corrupção, enfrentando dificuldades financeiras que causaram abandono dos canteiros.
Em 2016, o primeiro contrato foi rescindido. Em 2019, o governador João Doria (PSDB) anunciou novo rompimento contratual. A KPE e Coesa foram contratadas em 2021 para retomar as obras, mas em 2023, Tarcísio rescindiu novamente seus contratos. A Ágis Construção S.A. foi então convidada a assumir o projeto.
Conexões limitadas e impacto urbano reduzido
Originalmente, a linha conectaria-se às linhas 1 (Azul) e 4 (Amarela). Atualmente, a conexão ocorre apenas com a Linha 5 (Lilás), por meio da estação Campo Belo. O projeto também perdeu relevância para o transporte esportivo: quando foi concebido, havia expectativa de receber jogos da Copa, mas as partidas foram transferidas para a Arena Corinthians em Itaquera.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) aproveitou a ocasião para elogiar Tarcísio, caracterizando a inauguração como parte de uma "revolução no transporte sobre trilhos", citando também a Linha 6 (Laranja) e expansão da Linha 2 (Verde) como projetos em andamento.
Estratégia política e projetos futuros
A inauguração ocorre em contexto de campanha para reeleição de Tarcísio, que busca se apresentar como o governador que "entrega grandes obras de infraestrutura". Além do monotrilho, pretende inaugurar este ano o último trecho do Rodoanel Norte e a Linha 6 (Laranja), além de iniciar o histórico túnel Santos-Guarujá. Tudo sob o lema "coragem para fazer o impossível".
