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Da gasolina ao pãozinho, invasão da Ucrânia pode fazer brasileiro sentir no bolso

Duração do conflito será determinante para evitar descontrole dos preços
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Amanda Omura

O início da invasão da Ucrânia pela Rússia derruba as bolsas de valores nesta quinta-feira (24), conforme os investidores fogem dos investimentos de risco. Por outro lado, faz subir os preços das commodities – em especial, do petróleo, por temores de uma redução da oferta global.

Para os brasileiros, uma acentuação desses movimentos poderá ser sentida bem de perto: no bolso.
Isso porque uma série de itens tendem a ficar (ainda) mais caros se o conflito se intensificar, ou se prolongar – trazendo ainda mais inflação para o país.

Além dos combustíveis, economistas dizem que o conflito pode impactar a produção de fertilizantes, aumentar o preço do trigo e seus derivados, como o pãozinho e o macarrão, além de desencadear consequências indiretas das sanções impostas à Rússia, que podem prejudicar todo o sistema financeiro mundial.

Combustíveis
O petróleo tipo Brent subia mais de 6% na quinta, passando dos US$ 103 por barril. Esse petróleo é referência para a Petrobras no reajuste dos combustíveis, que antes mesmo da crise eram considerados "vilões da inflação".

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), acredita que a tendência é que os reajustes mais rápidos comecem mesmo pelo petróleo e derivados. A Rússia produz cerca de 11% do insumo em todo o mundo.

Pãozinho, soja e milho
O Brasil é altamente dependente da importação de trigo, base da produção de pães, massas, biscoitos e macarrão.

E a Rússia está entre os maiores exportadores do grão, com cerca de 13% de participação no mercado. Além do efeito direto de alta, uma falta de trigo pode demandar uma substituição de insumos e trazer para cima os preços da soja e do milho, por exemplo.

Carros e eletrodomésticos
Ainda desconsiderando o conflito, o IPCA-15, divulgado na quarta-feira (23), mostrou que os bens duráveis já sofriam uma escalada de preço. Segundo André Braz, do Ibre, o aumento da produção industrial que afeta os bens duráveis – como eletrodomésticos e veículos – será o efeito mais persistente da inflação, já que o petróleo é usado em várias estruturas produtivas.

Outros alimentos
Além do trigo, os fertilizantes russos também podem sofrer uma quebra de produção. Novamente, um efeito em cadeia pode chegar ao bolso do brasileiros: o agricultor pode ter dificuldade de acesso ao produto, tornando a lavoura menos produtiva e reduzindo a oferta de alimentos – mesmo os produzidos aqui dentro.

Outros itens
Ainda que a Petrobras decida não aumentar o preço da gasolina e do diesel, o barril de petróleo eleva o valor de toda uma cadeia de produtos. Se houver um reajuste, além do transporte individual encarecer, tudo o que tiver preço de frete embutido pode ter reajustes, como produtos industriais e alimentos.

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