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Em viagem à China, Lula tem a missão de ampliar venda de produtos a um país em desaceleração

Gigante é nosso maior parceiro comercial, mas não desfruta mais dos tempos áureos de crescimento
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Amanda Omura

O estreitamento das relações comerciais entre Brasil e China deve ser a principal tônica da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país asiático, que acontece neste final de semana.

Convidado pelo presidente chinês, Xi Jinping, Lula tem uma pauta econômica clara: defender as relações já construídas com o maior parceiro comercial do Brasil e, eventualmente, ampliar a gama de produtos brasileiros para venda no gigante asiático.
Do ponto de vista geopolítico, Lula se encontra com Xi em momento sensível, em que a China mostra alinhamento com a Rússia durante a guerra na Ucrânia. Lula precisará balancear o aceno a um dos mais importantes motores da nossa atividade econômica, sem que a política externa contamine o comércio com outros parceiros do Ocidente — como os Estados Unidos.
Com a viagem para a China, o presidente terá cumprido agenda oficial nos três maiores parceiros comerciais do país nos três primeiros meses de governo – Lula também visitou recentemente os EUA e a Argentina.

De olho na balança comercial
Com uma comitiva que conta com parlamentares, ministros e mais de 200 empresários, a agenda de Lula na China será cheia. O principal destaque, segundo economistas, fica com a tentativa de ampliar a gama de produtos brasileiros oferecidos no mercado chinês.

O petista também tem o desafio de desatar nós na relação, herdados da gestão de Jair Bolsonaro. Em seus anos de mandato, o ex-presidente alinhou-se irrestritamente ao colega americano Donald Trump e fez reiteradas críticas ao regime chinês — até mesmo no comércio de vacinas contra a Covid-19.
Segundo o economista e sócio da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, no entanto, apesar da pauta de reindustrialização do governo, pode ser difícil para o Brasil encontrar um “caminho adicional de exportações” para o país.

De acordo com Campos Neto, seis produtos correspondem a cerca de 85% do total de exportações que o Brasil faz para a China: minério de ferro, soja, petróleo, celulose, carnes e milho.
“É difícil que isso aconteça facilmente porque, no fundo, o que a China precisa são os itens que já vendemos em larga escala, como matérias-primas e commodities. A China já é um grande produtor de bens manufaturados e seus parceiros na Ásia também já suprem bem a demanda que falta nesse sentido”, explica o economista.
“Acho mais provável que a gente consiga ampliar as relações e os volumes do que a gente já fornece do que emplacar exportações de bens industrializados”, acrescenta.

Uma China diferente
Quando Lula deixou a Presidência após o segundo mandato, o Brasil surfava a onda das commodities. O país havia crescido 7,5% em 2010, na esteira de uma aceleração de 10,3% da China.

O cenário, agora, é outro. No começo deste ano, por exemplo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou as projeções para o crescimento da economia chinesa em 2023 de 4,4% para 5,2%, mas destacou que a expansão do país no ano que vem deve desacelerar para 4,5%, antes de se estabelecer abaixo de 4% a médio prazo.

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