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Tensões no Oriente Médio elevam petróleo a US$ 95 e ameaçam inflação e juros no Brasil

Petróleo sobe a US$ 95 com tensões no Oriente Médio. Brasil enfrenta pressão inflacionária e revisão de juros para 13% ao ano.
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Amanda Clark

Petróleo sobe com incertezas geopolíticas no Oriente Médio

O mercado internacional de petróleo experimenta volatilidade significativa após novos desdobramentos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nesta segunda-feira, o barril do Brent ultrapassou a marca de US$ 95, registrando altas superiores a 5% durante o pregão. A movimentação ocorre após o vaivém da reabertura do Estreito de Ormuz no fim de semana, um ponto crítico para o comércio global de energia. Investidores mantêm postura cautelosa, acompanhando de perto os desenvolvimentos do conflito, enquanto analistas alertam para possíveis pressões inflacionárias nas próximas semanas.

Impactos diretos na inflação brasileira

As flutuações contínuas dos preços do petróleo já começam a reverberar na economia brasileira. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março apresentou aumentos superiores às expectativas, com destaque para pressões nos combustíveis e alimentos. Os preços da alimentação no domicílio cresceram 1,94%, marcando o maior patamar desde abril de 2022, quando atingiu 2,59%. Especialistas temem que, caso as tensões entre Estados Unidos e Irã persistam nas próximas semanas, estes itens essenciais continuem encarecendo para os consumidores brasileiros.

Cenários de alta ainda maior

Analistas do Citigroup avaliam a possibilidade de o petróleo Brent ultrapassar os US$ 100, chegando potencialmente a US$ 110 por barril, caso o tráfego no Estreito de Ormuz permaneça interrompido por aproximadamente um mês. Os especialistas declaram estar preparados para ajustar suas projeções em direção a um cenário de interrupção mais prolongada, caso as negociações não avancem satisfatoriamente.

Revisões para cima do Banco Central

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, reflete as preocupações do mercado. As expectativas para inflação em 2026 foram revisadas para cima, saindo de 4,71% para 4,80%, afastando-se progressivamente do teto da meta de inflação estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional em 3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual. Esta marca a sexta semana consecutiva de revisão para cima, sinalizando crescente pessimismo entre os economistas.

Pressão sobre a taxa de juros Selic

Simultaneamente, o Boletim revisou para cima as projeções da taxa básica de juros (Selic). Enquanto a divulgação anterior mantinha expectativa de 12,50% ao ano, a nova projeção subiu para 13%. Esta elevação pressiona ainda mais o Comitê de Política Monetária (Copom), que já adota postura mais cautelosa nos recentes cortes de juros.

Credibilidade fiscal em questão

Alberto Ramos, analista do Goldman Sachs, levanta preocupações sobre a sustentabilidade fiscal brasileira. A mediana das expectativas para o resultado primário em 2026, 2027 e 2028 mantém-se em terreno negativo, representando déficit. Este cenário contrasta explicitamente com as metas governamentais de resultados não negativos, evidenciando, segundo o analista, baixa credibilidade e fraco poder de ancoragem do arcabouço fiscal.

Dólar e Bolsa em movimento contido

Apesar das incertezas globais, o dólar encerrou segunda-feira em leve queda de 0,18%, cotado a R$ 4,9741. A moeda americana atingiu seu menor patamar desde 12 de março de 2024, quando fechou em R$ 4,9747. Analistas como Lucca Bezon, da Stonex, indicam que investidores adotam postura de espera, em vez de precificar cenários de aversão ao risco. A liquidez reduzida, devido à véspera do feriado de Tiradentes, também influenciou a movimentação cambial. Já o Ibovespa apresentou leve alta de 0,20%, encerrando aos 196.132 pontos, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras, beneficiadas pelas pressões nos preços do petróleo.

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