A Inteligência Artificial já é realidade nas escolas brasileiras
A inteligência artificial generativa se consolidou como ferramenta essencial nas instituições de ensino brasileiras, transformando a forma como alunos e professores trabalham cotidianamente. Dados da Pesquisa TIC Educação revelam que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio já utilizam tecnologias baseadas em IA para realizar suas atividades escolares, demonstrando a rapidez com que essa revolução tecnológica penetrou o ambiente educacional.
Entre os docentes, a adoção também é significativa: 43% dos professores já empregam ferramentas de inteligência artificial para preparar seus conteúdos didáticos e materiais de aula. Essa estatística foi apresentada por Daniela Costa, doutora em Educação e consultora da UNESCO Brasil, durante o Encontro de Educadores do Século XXI, realizado pela Casa Firjan.
O descompasso entre adoção e letramento digital
Apesar da massiva utilização de IA nas escolas, a pesquisa aponta um problema preocupante: a velocidade de implementação da tecnologia não foi acompanhada por um preparo adequado dos estudantes para utilizá-la criticamente. O levantamento evidencia que apenas um terço dos alunos (33%) afirma ter recebido orientação de professores sobre como identificar erros, imprecisões ou preconceitos embutidos em conteúdos gerados por inteligência artificial.
Essa lacuna no letramento digital representa um desafio significativo para o sistema educacional. Sem as competências necessárias para questionar e avaliar os resultados produzidos por essas tecnologias, os estudantes correm o risco de internalizar informações incorretas ou enviesadas como se fossem fatos estabelecidos. A educação crítica sobre IA torna-se, portanto, urgente e indispensável.
Políticas de regulação do uso de tecnologia nas escolas
A discussão sobre inteligência artificial nas instituições educacionais também compreende a necessidade de estabelecer normas e diretrizes para o uso de dispositivos tecnológicos. A Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de telefones celulares por alunos, consolidou um debate que vinha ganhando força nas comunidades escolares.
Os números refletem essa tendência regulatória: entre 2023 e 2024, aumentou de 28% para 39% a proporção de escolas que proíbem o uso de celulares pelos estudantes durante o horário de aula. Essa mudança indica uma busca por maior controle sobre o tempo de tela e a concentração dos alunos em sala de aula.
Além da proibição: competências e ética digital
Para especialistas como Daniela Costa, a questão não deve se limitar a simplesmente proibir o acesso à tecnologia. Em vez disso, o foco deve recair sobre a formação de docentes preparados para orientar o uso ético, crítico e responsável das novas tecnologias. O Marco Referencial de Competências em IA para Professores da UNESCO fornece um caminho importante nessa direção.
A liderança educacional desempenha papel central nesse processo de transformação. As instituições precisam investir em formação continuada de professores, capacitando-os a ensinar não apenas como usar IA, mas também como reconhecer suas limitações, vieses e possíveis erros. Essa abordagem equilibrada promove uma relação mais saudável e consciente com a tecnologia.
O papel essencial da escola na inclusão digital
Apesar dos desafios, a escola continua sendo um espaço fundamental para o acesso e a alfabetização digital. Entre os alunos que utilizam internet, 75% indicam o ambiente escolar como um dos principais pontos de conexão com a rede. Essa realidade reafirma o papel crucial das instituições educacionais na redução das desigualdades digitais e na formação de cidadãos preparados para a sociedade contemporânea.
A transformação digital do ensino é inevitável, mas seu sucesso depende de uma abordagem estratégica que combine acesso à tecnologia com desenvolvimento de pensamento crítico e competências digitais sólidas.
