Início da Operação de Evacuação no Porto de Granadilla
A evacuação dos aproximadamente 150 ocupantes do cruzeiro MV Hondius começou neste domingo no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias. A operação representa uma complexa ação internacional de resposta ao surto de hantavírus que causou a morte de três passageiros e mobilizou autoridades sanitárias de diversos países.
O primeiro grupo de passageiros deixou a embarcação utilizando lanchas especializadas, sendo conduzidos para o pequeno porto onde foi montada uma estrutura especial. O objetivo principal é garantir que a retirada ocorra de forma segura, sem qualquer contato com a população local das Canárias.
O Ministério da Saúde da Espanha confirmou o início do desembarque através de comunicado oficial: "Começa o desembarque dos passageiros e do tripulante espanhol". Jornalistas presentes no local presenciaram cenas que ilustram a magnitude das precauções tomadas, com passageiros vestindo trajes de proteção azuis ao desembarcarem nas lanchas.
Protocolos de Saúde e Supervisão da OMS
Antes do início do desembarque, equipes médicas especializadas subiram a bordo para avaliar todos os passageiros. De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, todos os ocupantes seguem sem apresentar sintomas da doença. A ministra acompanha pessoalmente a operação no cais, juntamente com outros ministros e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que supervisiona a evacuação de forma presencial.
A participação de Tedros na operação representa um sinal claro do comprometimento internacional com a contenção do surto e demonstra a seriedade com que a OMS trata a situação.
Processo de Desembarque e Repatriação
O procedimento de evacuação segue um rigoroso protocolo de segurança. Os ocupantes do navio são transportados em ônibus protegidos do porto até o aeroporto de Tenerife Sul, distante aproximadamente dez minutos. No aeroporto, os passageiros embarcam diretamente em aviões para seus países de origem, sem circular por áreas comuns do terminal.
A evacuação ocorre em grupos de cinco pessoas para manter o controle máximo da operação. Segundo informações da ministra Mónica García, o primeiro voo levará os 14 passageiros espanhóis até um hospital militar em Madri. Ainda neste domingo, estão programadas partidas para Países Baixos, Canadá, Turquia, França, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos.
O último voo da operação, com destino à Austrália, está previsto para segunda-feira, quando a evacuação deve ser totalmente concluída. No porto, foram posicionadas tendas da Guarda Civil e ônibus vermelhos da Unidade Militar de Emergência (UME) para garantir o transporte controlado de todos os passageiros.
OMS Tranquiliza Sobre Riscos de Saúde Pública
Consciente das preocupações públicas diante de uma potencial crise sanitária, Tedros procurou tranquilizar a população. "Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua baixo", afirmou o diretor-geral da OMS.
Ao mesmo tempo, Tedros reconheceu a gravidade da cepa detectada no navio — a variante Andes, a única forma conhecida de hantavírus com registros raros de transmissão entre humanos. Ele enfatizou respeito pelos falecidos: "Três pessoas perderam a vida, e nosso coração está com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo".
O balanço mais recente da OMS registra seis casos confirmados entre oito suspeitos. As três vítimas fatais incluem um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã.
Desafios Políticos e Resistência Local
A operação de evacuação enfrentou resistência das autoridades regionais das Canárias. O presidente regional, Fernando Clavijo, manifestou preocupações quanto aos riscos sanitários: "Com minha autorização e conivência, não vou colocar a população em risco". Como resultado, o navio permanece fundeado sem atracar, conforme exigência das autoridades locais.
Após reunião com Tedros no sábado, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, defendeu a decisão do governo central de receber o cruzeiro, argumentando que oferecer um porto seguro é "um dever moral e legal para com nossos cidadãos, a Europa e o direito internacional".
Próximos Passos
Concluída a operação de evacuação, o MV Hondius seguirá viagem para os Países Baixos com parte essencial da tripulação e o corpo de uma das vítimas, onde será submetido a processo completo de desinfecção. Esta medida adicional visa garantir a máxima segurança sanitária antes de qualquer operação futura do navio.
