Nova liderança do Hamas marca continuidade política
O grupo palestino Hamas anunciou oficialmente a eleição de Khalil al-Hayya como novo chefe de seu gabinete político, substituindo o líder martirizado Yahya al-Sinwar. O anúncio foi feito nesta segunda-feira através de comunicado oficial do movimento, após uma disputa descrita como acirrada pela liderança política palestina.
Al-Hayya, que atuava como principal negociador nas conversas indiretas de cessar-fogo com Israel, consolidou sua posição após exercer de facto a liderança do movimento desde 2024, quando Israel eliminou seu antecessor em uma operação em Gaza. A escolha reforça a continuidade nas políticas do Hamas, uma vez que pouca ou nenhuma mudança fundamental é esperada com a nova administração.
Perfil e trajetória política de Khalil Al-Hayya
Nascido em Gaza, Al-Hayya vive no Catar desde antes do atentado de 7 de outubro de 2023, que deflagrou o novo período de intensidade no conflito israelense-palestino. O líder eleito é um homem de aproximadamente sessenta anos, alto, com ombros largos e barba branca cuidadosamente aparada, consolidando sua influência mais nos corredores diplomáticos do que no campo militar.
Sua formação acadêmica inclui estudos na Universidade Islâmica de Gaza, mestrado na Jordânia e doutorado em direito islâmico no Sudão. Al-Hayya também passou três anos em prisão israelense no final da década de 1990 por sua filiação ao Hamas e sobreviveu a duas tentativas de assassinato, em 2007 e 2014.
Traços políticos e alianças estratégicas
Anteriormente filiado à Irmandade Muçulmana, Al-Hayya foi eleito deputado em 2006 e se tornou vice-presidente da direção política do Hamas para a Faixa de Gaza em 2017. Aliados do movimento descrevem o novo líder como dotado de inteligência, sabedoria e serenidade nas tomadas de decisão, além de manter um temperamento caracterizado como conservador e pragmático.
O escolhido mantém relações privilegiadas com a Jihad Islâmica e o Hezbollah, além de laços estratégicos com países como Catar, Egito, Argélia e principalmente o Irã, que funciona como principal apoio financeiro e militar do movimento palestino.
Processo de eleição e perdas pessoais
O processo eleitoral ocorreu em Gaza, na Cisjordânia, dentro de prisões israelenses e em países árabes vizinhos que abrigam populações palestinas refugiadas. A votação foi supervisionada por membros do Conselho da Shura, a mais alta autoridade de tomada de decisões dentro do Hamas.
A eleição de Al-Hayya superou a candidatura de Khaled Mashaal, preferido de países árabes sunitas. Ao longo de sua trajetória, o novo líder sofreu perdas familiares significativas: um filho foi morto em ataque aéreo israelense em junho, outro foi eliminado em ataque a Doha em 2025, e um terceiro filho morreu durante a guerra entre Israel e Hamas em 2014.
Alvo de operações israelenses
Al-Hayya foi alvo prioritário de um ataque aéreo lançado por Israel contra Doha em 2025, operação que motivou condenação dos Estados Unidos. Apesar da tentativa, o líder palestino não foi atingido, embora tenha perdido outro filho na ação.
