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Irã controla Estreito de Ormuz com autorização militar: entenda as restrições à navegação

Irã permite passagem no Estreito de Ormuz apenas com autorização militar. Conheça as restrições que afetam 20% do petróleo mundial.
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Amanda Clark

Estreito de Ormuz: abertura condicional sob controle iraniano

O Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo, permanece aberto apenas com consentimento expresso do Exército do Irã. Conforme declarou Saeed Khatibzadeh, vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, em entrevista à ITV News, todas as embarcações que desejam atravessar o estreito precisam se comunicar com as autoridades militares iranianas antes de prosseguir. Essa condição representa uma mudança significativa nas operações de um dos canais marítimos mais importantes do mundo.

Limitações práticas na passagem de navios

Apesar das garantias de Teerã sobre a abertura do estreito, a navegação continua severamente restrita. Segundo fonte iraniana sênior à agência TASS, o país permitirá apenas 15 navios por dia atravessarem o canal, um número drasticamente inferior aos aproximadamente 130 navios diários que cruzavam antes do conflito iniciado em 28 de fevereiro. O estreito, que possui apenas 34 quilômetros de largura entre Irã e Omã, representa a principal rota de acesso do Golfo ao Oceano Índico e é responsável por cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo.

Khatibzadeh justificou as restrições citando condições técnicas de segurança e medidas de guerra implementadas pelo Irã durante o conflito. As limitações incluem a presença de minas e outras barreiras militares que ainda estão em operação, exigindo que as embarcações coordenem suas passagens com as autoridades iranianas para garantir segurança das tripulações e das cargas.

Impacto econômico global e preços do petróleo

A restrição de fluxo no estreito tem consequências diretas nos mercados internacionais. Os preços do petróleo voltaram a subir acima de US$ 98 por barril em Londres após quedas de mais de 13% no dia anterior. Essa volatilidade reflete a incerteza em torno da disponibilidade real de passagem e dos custos adicionais impostos pelo Irã aos navegadores.

Cobranças polêmicas pelos acessos

Teerã tem cobrado de algumas transportadoras uma taxa de até US$ 2 milhões para a travessia do estreito, prática que gerou protestos internacionais. O presidente americano Donald Trump havia mencionado a possibilidade de criar uma empresa conjunta para gerenciar a navegação em troca de pagamento, proposta que enfrentou rejeição de aliados ocidentais.

Rejeição internacional às restrições

A União Europeia declarou que a liberdade de navegação é um bem público e deve ser garantida sem pagamentos ou pedágios. O porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, enfatizou que a passagem não deve estar sujeita a tarifas adicionais. O ministro francês Jean-Noël Barrot classificou como inaceitável a criação de um mecanismo de pedágio na região estratégica.

Negociações e cessar-fogo

As declarações de Khatibzadeh ocorrem no contexto de um cessar-fogo de 14 dias entre Estados Unidos e Irã, cuja continuidade está atrelada à reabertura completa do Estreito de Ormuz. O vice-chanceler iraniano mencionou esperança em futuras negociações com delegação americana, previstas para breve no Paquistão. Ele também criticou ataques israelenses no Líbano, que faz parte do acordo de cessar-fogo, pedindo aos EUA para controlar seu aliado.

Situação atual do tráfego marítimo

Segundo dados da empresa global Kpler, o tráfego de navios no estreito na quarta-feira foi o menor desde o final de março. Sultan Ahmed Al Jaber, executivo-chefe da empresa estatal de petróleo de Abu Dhabi, afirmou claramente que o Estreito de Ormuz não está totalmente aberto, mas sim submetido a restrições, condições e controle iraniano. Navios petroleiros chineses aguardavam próximo ao estreito aguardando liberação, posicionando-se como potenciais primeiras embarcações de carga a deixar o Golfo Pérsico após o cessar-fogo.

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