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Putin tem plano de fome para vencer guerra e desestabilizar Europa

Historiador vê paralelos em Hitler e Stalin na estratégia do presidente russo para controlar agricultura na Ucrânia com bloqueio de portos
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Amanda Omura

O alerta para um novo estágio de colonialismo e o mais recente capítulo da política da fome veio do historiador americano Timothy Snyder, num extenso tópico publicado no sábado (11) no Twitter: “A Rússia tem um plano de fome. Vladimir Putin está se preparando para matar de fome grande parte do mundo em desenvolvimento como o próximo estágio de sua guerra na Europa.”

Professor de Yale, especializado em Europa Central e Oriental, ele traçou três níveis na estratégia de Putin para matar asiáticos e africanos de fome e vencer a guerra na Ucrânia: destruir o Estado ucraniano, cortando suas exportações; gerar uma onda de refugiados do Norte da África e do Oriente Médio, regiões que são alimentadas pela Ucrânia, o que causaria instabilidade na UE; e desencadear uma campanha de propaganda russa para responsabilizar o país invadido pela fome mundial.
“Quando os distúrbios começarem e a fome se espalhar, a propaganda russa culpará a Ucrânia e exigirá que os ganhos territoriais da Rússia na Ucrânia sejam reconhecidos e que todas as sanções sejam levantadas”, prevê o historiador.
No ranking mundial, a Ucrânia aparece como o quinto maior exportador de trigo, o quarto maior de milho e o maior de óleo de girassol. O bloqueio do porto em Odessa pela Rússia, assim como a destruição de silos e equipamentos agrícolas, vêm impedindo a exportação da safra, destinada, sobretudo, a países da África e do Oriente Médio.

O controle da agricultura ucraniana, para provocar o que o historiador Snyder chamou de horror da fome, encontra paralelos em ações patrocinadas por Josef Stalin e Adolf Hitler. Ele observa que o ditador nazista desejava redirecionar os grãos ucranianos da União Soviética para a Alemanha, na esperança de matar de fome milhões de cidadãos soviéticos. Já a agricultura coletivizada promovida pelo ditador soviético matou cerca de quatro milhões de ucranianos.

A escassez de alimentos parece servir a Putin como tática de guerra. “A política de memória russa preparou o caminho para um plano de fome do século 21. Dizem aos russos que a fome de Stalin foi um acidente e que os ucranianos são nazistas. Isso faz com que roubo e bloqueio pareçam aceitáveis”, escreveu Timothy Snyder.

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