Governo Trump investe em luvas capazes de aplicar choques elétricos para agentes de imigração
O governo de Donald Trump planeja investir até US$ 20 milhões (R$ 103 milhões) para equipar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) com luvas capazes de aplicar choques elétricos. O Departamento de Segurança Interna (DHS) apresenta essas luvas como um "dispositivo de desescalada", contudo, críticos e especialistas manifestam preocupações significativas sobre a implementação dessa tecnologia em operações de imigração.
Controvérsia sobre a efetividade e aplicação das luvas
Apesar da denominação oficial como ferramenta de desescalada, diversos especialistas argumentam que o equipamento poderia, na verdade, intensificar o uso da força durante operações de fiscalização e detenção. O DHS informou que planeja adquirir o modelo "CTG-5 GLOVE" e distribuí-lo aos agentes e oficiais do ICE encarregados da fiscalização da imigração e de investigações criminais. Conforme o comunicado oficial, a compra poderá ser finalizada até o final de março.
Em declaração oficial, o Departamento de Segurança Interna afirmou que "o ICE avalia constantemente as necessidades de nossos agentes em campo para garantir que eles tenham as ferramentas e os equipamentos necessários para prender e deportar imigrantes ilegais criminosos do nosso país com segurança". No entanto, o DHS não forneceu detalhes sobre os protocolos específicos de utilização das luvas, particularmente em situações de confronto ou manifestações.
Fabricação e funcionalidade do dispositivo
As luvas são fabricadas pela empresa Compliant Technologies, sediada em Kentucky, que afirma que seus produtos "capacitam os policiais a desescalar situações tensas rapidamente". De acordo com o manual do usuário, a tecnologia é capaz de inibir "o indivíduo de realizar movimentos musculares coordenados".
Segundo a agência Associated Press, a empresa explica que as luvas devem ser aplicadas diretamente na pele da pessoa para gerar um estímulo doloroso que, normalmente, ajuda o agente a obter a cooperação em segundos. John Peters, presidente do Instituto para a Prevenção de Mortes sob Custódia, que estuda como o dispositivo tem sido usado, comparou o efeito a "uma picada de abelha" e afirmou que "se o policial encontrar qualquer tipo de resistência da pessoa, esta é certamente uma ferramenta eficaz".
Histórico de táticas agressivas do ICE preocupa especialistas
A iniciativa surge em um contexto de críticas contínuas contra as táticas agressivas do ICE na execução da campanha de deportação em massa do presidente Trump. Agentes já utilizaram spray de pimenta contra manifestantes, quebraram janelas de carros e arrastaram pessoas para fora de veículos, gerando pedidos por maior responsabilização e transparência operacional.
Desde o ano passado, mais de 20 pessoas em seus carros foram alvejadas por agentes federais, algumas fatalmente. Em julho, dois homens foram mortos em seus veículos durante confrontos com agentes do ICE no Texas e no Maine. Esses incidentes intensificaram o debate público sobre o uso desproporcional da força por autoridades migratórias.
Mortes e desaparecimentos sob custódia do ICE
As operações de fiscalização migratória já resultaram na morte de cidadãos americanos que se opunham às ações do ICE. Em janeiro, os ativistas Renee Good e Alex Pretti morreram em Minneapolis durante confronto, episódio que levou o ICE a revisar parte de suas estratégias operacionais. Os assassinatos desencadearam semanas de protestos em todo o país e intensificaram as discussões sobre reforma e accountability.
Relatórios de organizações de direitos humanos indicam que, em 2025, ao menos 31 pessoas morreram sob custódia do ICE, enquanto mais de 1.200 detidos tiveram o paradeiro classificado como desconhecido. Este período é apontado como um dos mais críticos da História recente da imigração nos Estados Unidos, levantando questões fundamentais sobre direitos humanos e procedimentos de detenção.
Preocupações quanto à natureza civil das infrações migratórias
Ex-funcionários do ICE também questionam o uso das luvas contra pessoas acusadas de violar as leis de imigração, considerando que tais infrações são de natureza civil e não criminal. Essa distinção é crucial no debate sobre o uso de força e dispositivos potencialmente prejudiciais contra indivíduos cuja conduta não constitui crime federal.
