O vereador Salvino Oliveira (PSD) veio a público nesta segunda-feira (16) para contestar uma das acusações usadas pela Polícia Civil no pedido de sua prisão. Segundo o parlamentar, a movimentação financeira de mais de R$ 100 mil, apontada como atípica pelos investigadores, corresponde ao pagamento de uma premiação internacional ligada à Young Activists Summit, iniciativa realizada na ONU, em Genebra.
Preso na quarta-feira (11) durante uma operação que apura a suposta relação de políticos e agentes públicos com o Comando Vermelho, Salvino deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques dois dias depois, por decisão do Tribunal de Justiça do Rio. Desde então, passou a reagir publicamente às acusações.
Em vídeo divulgado nas redes, o vereador afirmou que a polícia usou informação falsa ao mencionar a quantia. “Com informações inverídicas, o tal dinheiro, mais de R$ 100 mil que me acusam de ter recebido, é justamente a premiação da ONU que eu recebi por ter sido selecionado como jovem ativista global. E eu só fui selecionado justamente pelo trabalho que desenvolvi, mudando a vida de jovens de favelas e periferias do Rio por meio da tecnologia”, disse Salvino Oliveira.
O reconhecimento citado por ele tem relação com a Young Activists Summit, que lista Salvino Oliveira entre os ativistas homenageados em 2025, na área de educação e inclusão. Na página oficial do evento, ele aparece associado a projetos voltados ao acesso de jovens de favela à tecnologia e à educação. O encontro de 2025 também consta em registros da ONU como realizado no Palais des Nations, em Genebra.
Na mesma declaração, o vereador voltou a negar qualquer vínculo com a facção investigada. “Essa semana a minha vida virou de cabeça para baixo. Invadiram a minha casa, divulgaram imagens que não são verdadeiras, não encontraram absolutamente nada na minha casa. Não encontraram dinheiro, joias, blusa ou qualquer coisa do tipo, porque eu não tenho a menor ligação com o Comando Vermelho. Mas, ainda assim, eu passei três dias preso”, afirmou.
Salvino, que é natural da Cidade de Deus e já ocupou o cargo de secretário municipal da Juventude, também disse enxergar na operação uma tentativa de silenciar lideranças oriundas de favela e periferia. “Toda vez que surge uma liderança de favela e periferia, essa banda podre da política decide, de alguma maneira, silenciar. Lá atrás fizeram isso com a Marielle e agora tentam, de todo modo, acabar com a minha reputação. Mas eu queria dizer que vou continuar lutando pelas favelas e periferias, continuar lutando pelo que eu acredito”, declarou. A trajetória pública de Salvino como ativista e gestor também é destacada no perfil oficial da Young Activists Summit.
A investigação, por sua vez, sustenta que o vereador teria negociado quiosques na Gardênia Azul com traficantes da comunidade em troca de apoio eleitoral na campanha municipal de 2024. Esse é um dos pontos centrais do inquérito que levou à operação da semana passada.
Em nota oficial, o governo do estado rebateu as críticas à ação policial e negou motivação política. Segundo o comunicado, a representação pela prisão foi apresentada pela Polícia Civil em 1º de janeiro de 2026, recebeu parecer favorável do Ministério Público em 21 de janeiro, teve autorização do Poder Judiciário em 27 de fevereiro e mandados expedidos em 3 de março. Na avaliação do estado, a tramitação demonstra que a medida passou por instâncias independentes e não partiu de decisão política do governo. A nota também afirma que tentar transformar o caso em narrativa de perseguição é uma forma de desviar o foco de fatos considerados graves pelas forças de segurança.
Com informações do Tempo Real.
