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Bolsonaro pode ter recebido informações da Abin após ex-presidente deixar o cargo

A suspeita é de que assessores de Carlos Bolsonaro pediam informações para o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem
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Amanda Omura

Fontes da PF disseram que há suspeita de que Bolsonaro possa ter continuado a receber informações da Abin mesmo após ex-presidente deixar o cargo e que ele pode ter tido acesso antecipado às informações das operações contra Ramagem e contra o vereador do Rio Carlos Bolsonaro.

Um dia antes da operação da Polícia Federal (PF) que fez buscas nos endereços ligados ao ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou uma mensagem aos seus seguidores nas redes sociais, dizendo que "as próximas semanas poderão ser decisivas" e que "vivemos momentos difíceis, de muitas dores e incertezas". A mensagem foi publicada no dia 24 e a operação foi realizada no dia 25 de janeiro.
Nesta segunda (29), Carlos Bolsonaro, filhos do ex-presidente, foi alvo de uma nova fase da investigação da PF no caso da "Abin paralela". A suspeita é de que assessores de Carlos Bolsonaro, que também são alvo da operação, pediam informações para o ex-diretor da Abin e hoje deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro Alexandre Ramagem. Ramagem é próximo da família Bolsonaro.

O vereador será chamado pela PF para depor.

Foram autorizadas buscas na residência de Carlos Bolsonaro e na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Também há mandados cumpridos em Angra dos Reis, onde os Bolsonaro têm uma casa, Brasília, Formosa (GO) e Salvador.

Abin paralela
A operação desta segunda (29) é uma continuidade da ocorrida na quinta-feira (25), quando Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, foi alvo de buscas. Na ocasião, foram apreendidos com eles 6 celulares e 2 notebooks – inclusive um pertencente à Abin.

Entre os alvos estavam autoridades e desafetos, como o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia –nesta segunda (29), o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse ao blog que iria pedir ao STF a lista de parlamentares que foram monitorados pela Abin – e uma promotora do Ministério Público do Rio de Janeiro que investigava milícias (inclusive Adriano da Nóbrega e homenageado por Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente) e as mortes de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

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