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Vídeo de Paes com vereador alvo da PF vira munição contra candidato ao governo do Rio

Vídeo de Eduardo Paes com vereador alvo da PF vira alvo de ataques políticos. Operação investiga milícia na Baixada Fluminense com indícios de R$ 350 milhões.
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Amanda Clark

Um vídeo que registra o candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) ao lado do vereador de Nova Iguaçu Vagner Mateus dos Santos, conhecido como Vaguinho Neguinho (PRD), durante uma carreata realizada na Baixada Fluminense tornou-se alvo de críticas políticas intensas. A gravação ganhou repercussão após o parlamentar ser alvo de mandado de busca e apreensão em operação conduzida pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, no contexto de investigação direcionada a milícia liderada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão.

Adversários Exploram Material para Ataque Político

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), também candidato ao cargo de governador estadual, utilizou suas redes sociais para compartilhar o vídeo como instrumento de crítica contra Paes. Em sua postagem, Garotinho questionou a credibilidade do ex-prefeito: "Muita cara de pau de Eduardo Paes dizer que não sabe quem é esse miliciano hoje. O vídeo acima mostra que ele mente mais uma vez." Complementou afirmando que a operação da PF tem como foco a milícia comandada por Juninho Varão, investigada por exercer domínio territorial e econômico na região através de armas, intimidação e práticas violentas.

Conteúdo do Vídeo e Declarações de Apoio

Na gravação, Paes e o vereador aparecem em uma caminhonete, momento em que o ex-prefeito elogia publicamente o parlamentar e solicita votos para a candidatura de Vaguinho a deputado estadual. Durante o discurso, Paes destacou o trabalho do vereador e sua atuação na região: "Esse Vaguinho aqui é fera, conhece a área toda. Agora eu estou entendendo porque eles ganham tanta eleição aqui, por causa do Vaguinho." O candidato prometeu investimentos em Nova Iguaçu e reforçou o apoio à candidatura de Vaguinho ao legislativo estadual.

Posicionamento dos Envolvidos

Quando questionada sobre o episódio, a assessoria de Eduardo Paes optou por não se manifestar oficialmente. De maneira similar, o vereador Vaguinho não retornou contatos diretos com a mídia. Contudo, poucas horas após a operação da PF, o parlamentar publicou mensagem em suas redes sociais, sem mencionar explicitamente a ação policial: "A única coisa que peço é que me deixem trabalhar! Trabalhar para o meu povo, a minha gente, que tanto sofreu com anos de descaso."

Detalhes da Operação Fora de Ordem

A ação coordenada pela Polícia Federal e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) resultou no cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais localizados na capital fluminense e em Nova Iguaçu. Entre os locais visitados destaca-se um imóvel de luxo situado no Recreio dos Bandeirantes, na Região Sudoeste do Rio de Janeiro. A denominada Operação Fora de Ordem concentrou seus esforços investigativos na milícia chefiada por Juninho Varão, que atua em Nova Iguaçu e municípios adjacentes da Baixada Fluminense.

Movimentações Financeiras Suspeitas

As investigações identificaram movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões, conforme análise de Relatórios de Inteligência Financeira fornecidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Os investigadores também encontraram indícios de possíveis vínculos entre o grupo paramilitar e agentes públicos, além de evidências de possível infiltração da organização criminosa nas estruturas estatais.

Estrutura Organizacional da Milícia

Segundo informações divulgadas pela PF, o grupo paramilitar atua desde pelo menos 2013 em bairros de Nova Iguaçu e cidades circunvizinhas, impondo domínio territorial através de intimidação e violência para explorar atividades econômicas, incluindo venda de gás e prestação de serviços de internet. Os agentes federais identificaram sofisticada divisão organizacional com núcleos especializados em comando, finanças, operações, domínio territorial e atividades políticas.

Os investigados podem responder criminalmente pelos delitos de organização criminosa armada, extorsão, lavagem de capitais e outros crimes conexos que possam emergir ao longo das investigações conduzidas pela polícia federal.

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