Uma escola pública na periferia de Belém, onde os alunos são estimulados a se mexer não só na hora do recreio e nas aulas de educação, mas também dentro de sala, antes durante e depois dos estudos.
“Vir para uma sala de aula e ficar 3, 4 horas só sentado não é legal, né? Então eu percebia que eu precisava fazer alguma coisa para deixar esses alunos mais ativos”, explica a professora, Mel Lima.
A iniciativa criada pela professora ganhou o nome de “Tira a preguiça”. O método tirou mais do que a preguiça da turma, mas também impulsionou o desenvolvimento dos alunos em matemática.
“Quando eu vi, eu estava conseguindo atingir alguns alunos que estavam com um pouquinho de dificuldade na disciplina e não tinha uma certa concentração. Depois das atividades, eu percebi que isso melhorou”.
Pesquisa comprova relação
Na Universidade Federal do Pará, os pesquisadores comprovaram a relação dos exercícios físicos com o desempenho cognitivo dos alunos. Eles aplicaram teste de atenção, memória e matemática para avaliar estudantes do quarto e do quinto ano do ensino fundamental.
A proposta do estudo é focada no HIIT, um treino rápido e intenso feito com intervalos que virou febre nas academias e está entre os mais indicados por cientistas na área da saúde mental.
“Após fazer o exercício físico, essa resposta fisiológica ao esforço melhora essa regulação cognitiva e emocional e, por esse motivo, então, as crianças conseguem melhorar seu desempenho”, ressalta o pesquisador em Neurociências da UFPA, João Bento Torres.
A pesquisa avaliou mais de 200 alunos e revelou o impacto do sedentarismo entre as crianças para o desempenho em matemática:
“Crianças que têm sobrepeso, obesidade, têm prejuízos na atenção e, por isso, menor desempenho em matemática”, diz o pesquisador.
Combate à depressão
Uma pesquisa internacional divulgada este ano aponta os treinos intervalados, a caminhada, a dança e a musculação como complementos importantes no tratamento contra a depressão.
O professor de Ciências da Saúde, Lucas Neves, que analisou pesquisas feitas nos últimos 40 anos sobre a relação entre atividade física e saúde mental. Ele examinou mais de 2 mil estudos para encontrar a receita para a recuperação de pacientes com depressão:
“Aqueles que treinavam três ou mais vezes por semana apresentavam um efeito antidepressivo maior do que aqueles que treinavam uma ou duas vezes. A gente viu também que os treinos que realizavam três séries ou mais de exercício físico de musculação também apresentavam um efeito antidepressivo maior comparado àqueles com uma ou duas séries”, aponta Lucas.
Alzheimer
As descobertas sobre os efeitos do exercício físico na saúde mental também avançam nas principais universidades do país. Em Campinas, a Unicamp realizou uma pesquisa com dois grupos: um que fazia musculação, duas vezes por semana durante uma hora por dia e outro grupo não fazia esse tipo de atividade.
Os resultados mostraram que quem trabalhou os músculos do corpo, garantiu a saúde do cérebro, sendo um aliado contra doenças degenerativas, como o Alzheimer.
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