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Zolpidem: os preocupantes efeitos colaterais do remédio que virou moda

O zolpidem atua num receptor dos nossos neurônios e mexe com um químico cerebral chamado ácido gama-aminobutírico, também conhecido pela sigla Gaba
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Amanda Omura

Nas primeiras horas da madrugada, o nome de um medicamento costuma virar assunto frequente nas redes sociais.

"Ideia de encontro: tomar zolpidem juntos para ver quem alucina mais e apaga primeiro".

"Na noite passada, tomei zolpidem e picotei meu cabelo todinho."

"Tomei quatro comprimidos de zolpidem agora e me deu vontade de comprar uma lhama."

Relatos como esses, publicados num intervalo de poucas horas no Twitter, mostram como um remédio desenvolvido para tratar a insônia virou um fenômeno cultural, especialmente entre os mais jovens.

Lançado no início dos anos 1990, o zolpidem é um fármaco da classe dos hipnóticos (para indução do sono) que deve ser usado por um curto período — no máximo, quatro semanas — por quem tem dificuldades para dormir ou manter o sono por um tempo adequado.

Uso desvirtuado
A grande questão, apontam os pesquisadores, é que o zolpidem está sendo indicado para qualquer dificuldade no sono e por um tempo prolongado demais.
"Apesar de a venda ser controlada e necessitar de prescrição médica, é relativamente fácil obter uma receita hoje em dia", observa a neurologista Dalva Poyares, da Associação Brasileira de Medicina do Sono.

"E isso nos gera muita preocupação", complementa.

Dependência e tolerância
Doria chama a atenção para a probabilidade de a dose inicial do zolpidem começar a ser insuficiente depois de algum tempo.

"Há também uma dependência emocional, pois alguns passam a acreditar que só conseguirão dormir se tomarem o remédio", diz.

E esse abuso traz consequências: há o risco de problemas na memória, no raciocínio e na atenção, apontam as médicas.

A melhor maneira de evitar esses estragos é sempre consultar um especialista em medicina do sono se houver alguma queixa relacionada ao descanso noturno — e, se for o caso, seguir à risca a prescrição medicamentosa adequada, em que o zolpidem só é usado por um tempo curto.

Sono que não aparece
O estudo EpiSono, liderado pelo Instituto do Sono, revelou que os brasileiros demoram, em média, 12 anos desde o início dos sintomas para procurar um tratamento contra a insônia.

Segundo a Associação Brasileira do Sono, esse problema afeta 73 milhões de pessoas no país.

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