Uma Despedida Marcada pela Comoção e Dor
O velório de Bento Costa Petillo Bezze, de apenas 12 anos, ocorreu na manhã de terça-feira no Cemitério de Inhaúma, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. O menino foi vítima de uma bala perdida no último domingo, em um trágico incidente ocorrido na Pavuna. A cerimônia foi marcada por intensa comoção de parentes e amigos, que se despediram de uma criança descrita por todos como amorosa, brincalhona e muito ligada à família.
Coroas de flores se acumulavam ao longo do cemitério, enquanto pessoas chegavam continuamente para prestar as últimas homenagens ao jovem Bento. A dor da família era visível em cada rosto presente na despedida. Uma mulher sussurrou para si mesma, expressando os sentimentos contraditórios que tomavam conta de todos: "É uma mistura de sentimentos: tristeza, dor e revolta".
O Sofrimento da Família
A mãe de Bento chegou à capela em lágrimas, expressando aos gritos a saudade do filho. O pai, por sua vez, chamava atenção pela postura cabisbaixa, com o rosto inchado e avermelhado de tanto chorar. Ele entrava e saía da capela onde se encontrava o corpo do filho constantemente, sendo amparado pelo tio de Bento, Daniel de Castro. Os irmãos Enzo, de 13 anos, e Kauã, de 18 anos, também acompanhavam a despedida naquele momento de profundo sofrimento.
Amigos e familiares chegaram ao cemitério em um ônibus que saiu do Condomínio Green House I, onde Bento morava com a mãe, a avó e seus dois irmãos. O trajeto representava uma última jornada juntos em memória do menino.
Os Detalhes da Tragédia
Bento estava participando de uma festa de Primeira Eucaristia de sua amiga Eduarda, da mesma idade, quando ocorreu o disparo fatal. O menino estava acompanhado de seu irmão Enzo no momento do incidente. Após ser atingido no peito pela bala perdida, Bento gritou "bala! bala!" e caiu no colo do irmão. Moradores do local o socorreram imediatamente, levando-o ao Hospital Santa Teresinha em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde não resistiu aos ferimentos.
Investigação Policial em Andamento
A Polícia Militar, através de agentes do 41º BPM (Irajá), foi acionada para uma ocorrência de disparo de arma de fogo na Rua Capitão Gouveia. As investigações apontam que o disparo pode ter sido feito durante a comemoração de aniversário de Douglas Oliveira dos Santos, conhecido como Geremias ou Pudim, apontado como chefe do tráfico do Morro da Quitanda, em Costa Barros. O criminoso, filiado ao Terceiro Comando Puro (TCP), completava 34 anos naquele dia.
O caso evidencia a grave realidade da violência urbana no Rio de Janeiro, onde balas perdidas continuam tirando vidas inocentes, especialmente de crianças e adolescentes. A morte de Bento deixa um vazio irreparável em sua família e comunidade, reforçando a necessidade urgente de medidas efetivas para combater a criminalidade e proteger vidas.
