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Rio de Janeiro enfrenta desafio de melhorar infraestrutura turística enquanto visitantes crescem 18%

Rio cresce 18% em turismo mas enfrenta insegurança, sujeira e infraestrutura precária. Especialistas apontam soluções para melhorar experiência turística.
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Amanda Clark

O contraste entre crescimento turístico e negligência urbana no Rio

Enquanto o Rio de Janeiro registra um crescimento impressionante de 18,1% no turismo internacional nos primeiros quatro meses de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior, a experiência dos visitantes revela um cenário preocupante. Com 4,5 milhões de turistas visitando a cidade neste ano, segundo a Secretaria Municipal de Turismo, as atrações icônicas do Rio convivem com problemas crônicos de segurança, limpeza e infraestrutura que comprometem a satisfação dos viajantes.

A chilena Ximena Belmar, visitando o Rio pela primeira vez, expressa a ambivalência que caracteriza a experiência turística atual. Encantada com a cultura vibrante da Lapa, ela relata que o mau cheiro, falta de limpeza e edifícios abandonados próximos aos Arcos criariam dúvidas sobre um retorno à região. Essa experiência não é isolada. Pesquisa realizada pela Smart Tour, plataforma de inteligência de dados para turismo e gestão pública, revelou que a insegurança é o principal ponto negativo citado nas redes sociais, especialmente relacionada ao medo de assaltos, seguida por golpes, extorsão, desordem urbana e superlotação.

Lapa: Símbolo da degradação turística

Na Lapa, região que deveria ser um cartão postal cultural do Rio, os problemas são visíveis. Próximo aos Arcos históricos, observa-se cheiro de urina, concentração de moradores em situação de rua, calçadas esburacadas com pedras portuguesas soltas e diversos estabelecimentos fechados. A reportagem identificou dez estabelecimentos desativados apenas entre a Praça João Pessoa e a Rua da Lapa.

O ator e produtor Perfeito Fortuna, que há mais de 40 anos lidera projetos culturais como o Circo Voador e a Fundição Progresso, destaca a desorganização atual. Segundo ele, durante eventos, camelôs impedem a circulação de veículos, criando caos urbano. A Associação Polo Novo Rio Antigo solicita à prefeitura a revitalização do trecho junto à Sala Cecília Meirelles e da Rua dos Arcos, além da destinação de terrenos vazios da Eletrobras na Rua do Lavradio.

Escadaria Selarón: Beleza sob negligência

A emblemática Escadaria Selarón, comparada por turistas ao próprio Corcovado em magnificência, sofre com azulejos quebrados em diversos pontos. A falta de acessibilidade é crítica, como relata a modelista portuguesa Sandra Ferraz: a ausência de corrimão torna a descida perigosa para pessoas com limitações de mobilidade. Os turistas percebem que a infraestrutura não acompanha o volume de visitantes.

Insegurança molda o comportamento dos visitantes

Os problemas de segurança têm consequências práticas diretas no comportamento turístico. Oito turistas americanos e europeus foram assaltados ao sair da Pedra do Sal, um ponto tradicional da boemia carioca. Como resposta, visitantes adotam estratégias defensivas: deixam celulares e joias no alojamento, levando apenas dinheiro em espécie, e circulam sempre em grupos, evitando áreas mal iluminadas. Essa realidade força os turistas a viverem em constante estado de alerta, comprometendo a qualidade da experiência.

Cristo Redentor: Caos na porta do cartão postal mais famoso

Nem mesmo o principal símbolo do Rio escapa aos problemas. No acesso ao Corcovado, pelo Cosme Velho, abordagens agressivas de vendedores de transporte particular perturbam os visitantes imediatamente após desembarcar de carros de aplicativo. O Trem do Corcovado reconhece que as abordagens são agressivas, atribuindo a questão à ordem pública.

Além disso, o sinal de trânsito em frente à estação do trenzinho permanece aberto apenas cerca de 20 segundos para travessia de pedestres, criando situações perigosas. A Praça São Judas Tadeu, ao lado, encontra-se parcialmente interditada, com um bonde de estrutura danificada, vidros quebrados e ferrugem. O ambiente carece de ofertas de serviços turísticos, como restaurantes e áreas de convivência adequadas.

Atrasos no horário de saída do trenzinho são frequentes. O chef equatoriano Aaron Salazar esperou uma hora e meia além do horário marcado, perdendo a visibilidade clara do Corcovado pelas nuvens ao chegar no topo. A experiência comprometida o levou a retornar no dia seguinte, desperdiçando tempo precioso de sua viagem.

Copacabana: Praia congestionada de ambulantes

As praias de Copacabana e Leme, apontadas pelo Observatório do Turismo Carioca como os locais mais visitados do Rio, enfrentam desafio de ordenamento urbano. O excesso de camelôs no Posto 3 deixa apenas um corredor para circulação de pedestres, transformando o passeio numa experiência desconfortável. A confusão se intensifica com a presença de ciclistas, pessoas correndo, veículos elétricos e carrinhos de carga disputando espaço.

A ausência de banheiros públicos gratuitos gera outro problema sério: muitos turistas e frequentadores recorrem a áreas públicas para necessidades fisiológicas, deixando o ambiente com odor desagradável. Turistas comparám a experiência desfavoravelmente com praias de São Paulo, onde banheiros públicos adequados estão disponíveis.

Bonde de Santa Teresa: Serviço aquém da demanda

A estação Carioca do Bonde de Santa Teresa apresenta problemas de eficiência operacional. Embora o intervalo oficial entre viagens seja de 15 minutos, a espera prática frequentemente ultrapassa 30 minutos. Turistas desistem do passeio ao perceberem que a fila não avança, receosos de perder outros compromissos.

Dados e perspectivas econômicas

Apesar das críticas, a Embratur aponta crescimento sólido. A Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (DEAT) registrou 8.285 casos envolvendo estrangeiros em 2025, com média de 22,69 ocorrências diárias. O furto de celulares representa o maior quantitativo, com 2 mil casos. A projeção para 2026 é de receitas de US$ 820 milhões do turismo internacional, 7,3% superior a 2025, com aumento de visitantes estimado entre 15% e 20%.

Especialistas apontam caminhos

Especialistas em turismo sugerem exemplos internacionais. Barcelona investiu em ordenamento turístico e requalificação urbana. Lisboa avançou na recuperação de áreas históricas e iluminação. Singapura é referência em limpeza e segurança. Nova York passou por profunda reorganização urbana com investimentos em segurança e mobilidade.

Felipe Felix, professor de Turismo do Cefet/RJ, destaca a importância de integração entre órgãos municipais e estaduais, com campanhas informativas em aeroportos e rodoviárias. Ele aponta o exemplo do aplicativo Oslo Pass, que integra transporte e atrativos turísticos com passes de múltiplos dias e validação por QR Code. Sevilha, premiada em 2023 como Capital Europeia do Turismo Inteligente, implementou regulamentação de moradias de uso turístico.

Ações anunciadas pela prefeitura

A Prefeitura do Rio anunciou ações específicas. Na Escadaria Selarón, obras incluem melhorias nos acessos, drenagem, requalificação de calçadas e instalação de rampas de acessibilidade. No Cosme Velho, será revitalizado o Terminal com concentração de embarque e desembarque de vans. A Lapa passa por revitalização dos Arcos com investimento de R$ 1,7 milhão, 50% executado. A Pedra do Sal recebeu melhorias na iluminação pública com novo ponto LED.

O desafio agora é transformar esses anúncios em ações contínuas que melhorem efetivamente a experiência turística, harmonizando crescimento econômico com qualidade urbana e segurança pública.

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