Você está em:

De olhos nos juros: é um bom momento para pegar empréstimo?

Cenário de alta dos calotes, taxas elevadas e incertezas pode deixar empréstimo mais caro
Picture of Amanda Omura

Amanda Omura

Crescimento da inadimplência, juros elevados e mais exigências para a tomada de empréstimos fazem o momento atual não muito favorável para pegar dinheiro emprestado. Isso porque, mesmo que isso não resulte em queda nas concessões, já é possível notar impactos no custo do crédito e na inadimplência do setor financeiro.

Mas por que o crédito está tão caro?
Há vários motivos. O primeiro deles é a relação direta entre os juros cobrados pelas instituições financeiras e a taxa básica do país, a Selic – que subiu de 2% para 13,75% nos últimos dois anos. Mas o 'encarecimento' do crédito também tem relação com o aumento da inadimplência e as dúvidas sobre o futuro da economia brasileira.

Segundo o economista da Boa Vista Flavio Calife, um exemplo desse cenário é o crescimento observado em linhas mais arriscadas, como o cheque especial e o cartão de crédito – duas das modalidades mais caras, com taxas anuais de 134,6% e 88,5%, respectivamente. Os dados são do BC, referentes a setembro.
“A maior parte das pessoas que tomam esse tipo de crédito, muitas vezes, não consegue pegar linhas com condições melhores. E quanto mais essas modalidades crescem, maior é a chance de que haja um problema no futuro, já que essas são modalidades que têm juros elevados e, portanto, um risco maior de inadimplência”, explicou Calife.

Outro ponto, citam os especialistas, são as expectativas sobre a política e a economia do país. De acordo com a especialista em finanças da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Merula Borges, um dos componentes que entra na conta agora é a incerteza que ainda existe no mercado sobre a política fiscal do próximo governo.
“É muito importante para o credor saber qual a direção que o país vai seguir para que ele consiga traçar uma expectativa. Incerteza também é risco para quem empresta dinheiro, e quanto menos clareza, mais difícil tende a ficar o acesso ao crédito”, disse Borges.

Já para a especialista de crédito do Serasa, Amanda Rapouzo, aspectos como a evolução do mercado de trabalho, da inflação e da renda também ficam no radar.
“A inflação e o desemprego começam a ficar um pouco mais controlados, mas todo esse cenário econômico ainda pode ter algum impacto no crédito, principalmente em relação àquilo que possa afetar a capacidade de pagamento do consumidor”, afirmou.

Quando será a melhor hora para tomar crédito?
A principal recomendação é que o consumidor, se possível, espere até que o cenário da economia e da política fiscal brasileiras esteja mais claro. Com maior previsibilidade, a expectativa é que as taxas de juros recuem, e o crédito fique mais acessível.

Para Maurício Godoi, especialista de crédito e professor da Saint Paul Escola de Negócios, no entanto, esse quadro só deve começar a se desenhar a partir do segundo trimestre do ano que vem, na medida em que as incertezas que temos hoje fiquem menos acentuadas. Mesmo com a melhora, o acesso ao crédito ainda deve continuar difícil.

Posts Relacionados

Agronegócio Brasileiro Diversifica Culturas: Soja, Canola e Macaúba na Produção de Etanol e Biodiesel

Agronegócio Brasileiro Diversifica Culturas: Soja, Canola e Macaúba na Produção de Etanol e Biodiesel

Agronegócio diversifica culturas para etanol e biodiesel. Soja lidera com 73%, enquanto milho, canola e macaúba expandem produção de biocombustíveis.

Setor de Biocombustíveis Recebe R$ 107 Bilhões em Investimentos: Etanol e Diesel Verde Lideram Expansão

Setor de Biocombustíveis Recebe R$ 107 Bilhões em Investimentos: Etanol e Diesel Verde Lideram Expansão

Setor de biocombustíveis receberá R$ 107 bilhões em investimentos. Etanol lidera com R$ 66 bilhões; diesel verde e SAF crescem.

Governo autoriza R$ 10 bilhões em gastos das estatais fora da meta fiscal em 2027

Governo autoriza R$ 10 bilhões em gastos das estatais fora da meta fiscal em 2027

Governo autoriza R$ 10 bilhões em gastos das estatais fora da meta em 2027 para recuperação dos Correios e outras empresas

Silvio Tini e o apetite estratégico do Pão de Açúcar: expansão e movimentos corporativos

Silvio Tini e o apetite estratégico do Pão de Açúcar: expansão e movimentos corporativos

Silvio Tini e o Pão de Açúcar: conheça a estratégia de expansão e reorganização corporativa da maior rede de varejo do Brasil.

BTG Pactual Expande Presença no Jardim das Perdizes com Aquisição de Controle Acionário de Empreendimento Bilionário da Tecnisa

BTG Pactual Expande Presença no Jardim das Perdizes com Aquisição de Controle Acionário de Empreendimento Bilionário da Tecnisa

BTG Pactual adquire controle de empreendimento bilionário no Jardim das Perdizes, São Paulo, marcando expansão estratégica no mercado imobiliário.

Co-CEO da Cyrela é alvo de investigação: saiba os detalhes do caso

Co-CEO da Cyrela é alvo de investigação: saiba os detalhes do caso

Co-CEO da Cyrela é alvo de investigação. Saiba mais sobre o caso que mobiliza o mercado imobiliário e impacta a empresa.

Petróleo Brent salta para US$ 103 com bloqueio do Estreito de Ormuz por Trump e tensões com Irã

Petróleo Brent salta para US$ 103 com bloqueio do Estreito de Ormuz por Trump e tensões com Irã

Petróleo Brent atinge US$ 103 com bloqueio de Trump no Estreito de Ormuz. Mercados caem e dólar se valoriza com escalada de tensões com Irã.

Chefes das Finanças Mundiais Enfrentam Déjà Vu em Reunião Global do FMI em Washington

Chefes das Finanças Mundiais Enfrentam Déjà Vu em Reunião Global do FMI em Washington

Chefes das finanças mundiais se reúnem no FMI enfrentando incertezas econômicas geopolíticas. Projeções revisadas para baixo.

pt_BRPortuguese