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Petróleo a US$ 100 posiciona América do Sul como maior fonte de oferta global até 2035

América do Sul pode adicionar 2,1 milhões de barris diários até 2035. Brasil, Guiana e Suriname lideram potencial de expansão petrolífera.
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Amanda Clark

América do Sul em destaque no mercado petrolífero mundial

A América do Sul está prestes a se consolidar como a região mais estratégica para a produção de petróleo global nos próximos anos. Segundo análise divulgada pela consultoria Rystad Energy, o continente sul-americano possui potencial para adicionar 2,1 milhões de barris diários de oferta de petróleo até 2035, em um cenário onde o preço do barril permanece em torno de US$ 100. Este posicionamento coloca a região em evidência no radar de investidores internacionais e nas discussões estratégicas sobre energia no mundo.

Potencial de expansão por país

Os números revelam uma distribuição significativa de oportunidades entre os principais produtores da região. Brasil, Guiana e Suriname poderiam contribuir com aproximadamente 1 milhão de barris por dia na próxima década, caso os projetos sejam acelerados e executados conforme o planejado. Estes três países representam um bloco estratégico que combina estabilidade institucional com excelente potencial geológico.

A Venezuela, por sua vez, possui condições de acrescentar 910 mil barris diários no mesmo período, porém esta expansão dependerá crucialmente de reformas fiscais significativas e do alívio das sanções internacionais que atualmente afetam o país. A Argentina também figura no cenário de crescimento, com a região de Vaca Muerta apresentando perspectivas de expansão mais rápida do que era previsto anteriormente.

Relevância geopolítica e econômica

Conforme afirmou Radhika Bansal, vice-presidente sênior de pesquisa de petróleo e gás da Rystad Energy, "A América do Sul agora está posicionada como a fonte mais relevante do mundo de oferta incremental". A análise evidencia que a região oferece uma combinação rara e valiosa de fatores: escala produtiva, qualidade geológica comprovada e relativa estabilidade política. Este conjunto de características torna a América do Sul particularmente atrativa no contexto atual, quando o mundo busca ativamente alternativas de fornecimento de energia após tensões geopolíticas.

Impacto econômico para o Brasil

Para o Brasil especificamente, as projeções da Rystad Energy indicam oportunidades significativas de ganhos financeiros. A consultoria revisou suas estimativas para o preço do petróleo em 2026, elevando a projeção de US$ 60 para US$ 89 por barril, uma mudança motivada pelo quase fechamento do Estreito de Ormuz. Neste cenário revisado, a Petrobras teria receita adicional de US$ 13,1 bilhões apenas neste ano, reforçando a importância econômica da empresa para as contas nacionais brasileiras.

Este potencial de receita extraordinária oferece oportunidades concretas para investimentos em infraestrutura, pesquisa, desenvolvimento e fortalecimento da posição brasileira como player global na indústria de energia. A conjunção de preços elevados de petróleo com a expansão da capacidade produtiva sul-americana cria um cenário economicamente favorável para empresas como a Petrobras e para os governos dos países produtores.

Perspectivas futuras

Os dados apresentados pela Rystad Energy sugerem que a próxima década será marcada por uma redistribuição geográfica significativa das fontes de oferta petrolífera global, com a América do Sul ganhando protagonismo. O sucesso desta transição dependerá não apenas de fatores técnicos e geológicos, mas também de decisões políticas, reformas institucionais e da capacidade de atração de investimentos internacionais que a região conseguir demonstrar.

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