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Pesquisas comprovam que agravamento de pena e redução de maioridade penal não diminuem criminalidade

Pesquisas do Ipea comprovam que agravamento de pena e redução de maioridade penal não reduzem criminalidade. Confira as evidências científicas.
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Amanda Clark

Evidências científicas desmentem mitos sobre redução de maioridade penal

Uma década atrás, Daniel Cerqueira, um dos principais especialistas do país em indicadores de segurança pública, desenvolveu em parceria com Danilo Santa Cruz Coelho, seu colega no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), uma nota técnica abordando a polêmica redução da maioridade penal. O trabalho surgiu como resposta à aprovação da PEC 171/1993 na Câmara dos Deputados em 2015, proposta que visava reduzir de 18 para 16 anos a idade em que adolescentes seriam responsabilizados como adultos por crimes.

O que a pesquisa revelou sobre endurecimento penal

A proposta original previa substituir as medidas socioeducativas, estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, pelo encarceramento em presídios convencionais. Contudo, os pesquisadores do Ipea apresentaram conclusões baseadas em evidências científicas sólidas que desafiam essa abordagem punitiva. Segundo suas análises, o agravamento de penas e a alteração das faixas etárias de responsabilização penal não resultam em redução efetiva da criminalidade.

Argumentação baseada em dados e estudos internacionais

Os dados apresentados pelos pesquisadores indicam que países que adotaram políticas de endurecimento penal não experimentaram quedas significativas nas taxas de criminalidade. Essa conclusão contradiz o discurso popular que defende medidas mais rigorosas como solução para o problema da violência juvenil. As evidências científicas apontam para outras causas estruturais da criminalidade, como desigualdade social, falta de acesso à educação e ausência de oportunidades econômicas.

Implicações para políticas públicas de segurança

O estudo do Ipea reforça a necessidade de repensar as estratégias de segurança pública no Brasil. Em vez de apenas aumentar penas ou modificar faixas etárias de responsabilização, as políticas deveriam focar em prevenção, reabilitação e programas socioeducativos que comprovadamente reduzem reincidência. A literatura internacional também demonstra que abordagens restaurativas e investimentos em educação proporcionam resultados mais duradouros e humanitários.

Perspectivas futuras para o debate criminológico

A pesquisa realizada por Cerqueira e Coelho continua relevante na atualidade, servindo como fundamentação técnica em debates legislativos sobre segurança pública. As evidências científicas devem guiar as decisões de policymakers, priorizando abordagens que efetivamente reduzam a criminalidade em vez de simplesmente endurecer as punições. O entendimento de que fatores socioeconômicos e educacionais são determinantes para a criminalidade juvenil abre caminho para políticas mais eficazes e socialmente responsáveis.

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