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João de Deus: condenação reduzida de 480 para 211 anos pelo TJ-GO; entenda os motivos

João de Deus tem pena reduzida de 480 para 211 anos. Entenda os motivos das reduções, prescrição e decisões do TJ-GO.
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Amanda Clark

A Redução Expressiva da Pena de João de Deus

O líder religioso João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus, teve sua condenação substancialmente reduzida no julgamento de recursos realizado pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). A soma de suas penas por crimes sexuais caiu de aproximadamente 480 anos em primeira instância para 211 anos e 1 mês, representando uma queda de mais da metade das condenações originais. Essa significativa redução resultou de decisões que reconheceram prescrição, decadência do direito de representação, arquivamentos e revisões de sentenças, além do acolhimento de argumentos apresentados pela defesa do acusado.

Os Crimes e as Condenações

João de Deus foi condenado por diversos crimes graves, incluindo estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. O religioso chegou a responder a 16 denúncias envolvendo crimes sexuais, além de dois processos adicionais: um por posse irregular de arma de fogo e outro por crime contra as relações de consumo, este último posteriormente arquivado. Atualmente, além das condenações por crimes sexuais, ele mantém uma pena definitiva pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.

Situação Atual e Regime de Cumprimento

Desde 2021, João de Deus cumpre prisão domiciliar em Anápolis, cidade localizada cerca de 55 quilômetros de Goiânia. A concessão dessa medida levou em consideração sua idade avançada e suas condições de saúde. No entanto, existem restrições importantes: ele está proibido de se aproximar de Abadiânia, município onde fundou a Casa Dom Inácio de Loyola, e também não pode ter contato com as vítimas. O Ministério Público de Goiás tentou manter o cumprimento da pena em regime prisional comum, sem sucesso. O promotor Luciano Meireles expressou sua indignação com a situação, afirmando que o resultado traz frustração às vítimas que confiaram no sistema de justiça.

Por Que a Pena Foi Reduzida?

A principal razão para a diminuição expressiva das penas foi a reanálise dos processos em instâncias superiores. Parte das condenações sofreu redução significativa no tempo de prisão, enquanto outras foram completamente anuladas ou tiveram a punibilidade extinta. Em diversos casos, a Justiça reconheceu a decadência do direito de representação, situação que ocorre quando a vítima deixa passar o prazo legal para formalizar a denúncia. Em outras situações, a prescrição foi reconhecida, impedindo a continuidade da punição devido ao tempo transcorrido. Também houve processos que foram arquivados e sentenças que tiveram suas decisões cassadas.

Exemplos Significativos de Reduções

Entre os casos mais representativos encontra-se uma condenação de 2023 por estupro, violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável que foi reduzida de mais de 51 anos para apenas 9 anos de reclusão. Outro processo que previa 56 anos e 10 meses foi completamente arquivado. Uma condenação de 2022 sofreu redução de 38 anos. No total, 67 vítimas compõem formalmente os processos. Outras 121 pessoas entraram como informantes, mas tiveram reconhecida a extinção da punibilidade por decadência ou prescrição.

A Perspectiva da Defesa

De acordo com o advogado de João de Deus, Anderson Van Gualberto de Mendonça, a redução das penas é resultado do acolhimento das teses da defesa que apontavam ilegalidades processuais desde o início do caso. O advogado afirmou que essas questões estão sendo gradativamente corrigidas e que ainda existem recursos pendentes no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com expectativa de novas reduções.

O Histórico do Caso

João de Deus ganhou notoriedade nacional e internacional por realizar as chamadas "cirurgias espirituais" na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, onde recebia milhares de pessoas em busca de cura espiritual. As denúncias contra ele vieram à tona em 2018, após o programa Conversa com Bial, da TV Globo, exibir entrevistas com dez mulheres que relataram abusos sexuais durante os atendimentos. A repercussão do programa estimulou dezenas de outras vítimas a procurarem o Ministério Público de Goiás, transformando o caso em um dos mais emblemáticos de violência sexual no país. Preso ainda em 2018, João de Deus sempre se declarou inocente. O caso representou um marco importante ao encorajar vítimas a quebrar o silêncio sobre abusos sexuais, gerando uma cadeia de denúncias que modificou discussões públicas sobre violência sexual no Brasil.

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