Exposição 'O que sustenta' apresenta obras de Marcelo Silveira no Paço Imperial
A individual intitulada 'O que sustenta', do artista pernambucano Marcelo Silveira, segue em cartaz até o dia 7 de junho na Sala dos Archeiros, localizada no Paço Imperial, no Centro do Rio de Janeiro. A mostra promove uma conversa aberta neste sábado (30), às 14h30, entre o artista e o renomado crítico de arte Walter Arcela, proporcionando aos visitantes uma oportunidade única de compreender melhor o processo criativo e as inspirações por trás das obras expostas.
Série 'V.A.R.A.S.': madeira ressignificada como arte
O destaque da exposição são as 50 obras da série 'V.A.R.A.S.' (2021/2025), criadas a partir de madeiras coletadas no espaço público e cuidadosamente trabalhadas pelo artista. Essas peças são suspensas do teto por fios, criando uma instalação que dialoga com o conceito de leveza e sustentação. Marcelo Silveira denomina esse material de 'madeira sem lei', referindo-se a peças de jacarandá, imbuia, cedro e outros móveis antigos que foram descartados pela sociedade.
O artista explica que ao chamar esses tipos de madeira de 'lei', refere-se à época do Império, quando havia regulamentação sobre quais materiais poderiam ser utilizados. Ao incorporar essas madeiras em suas esculturas, Silveira não apenas ressignifica objeto descartado, mas também dialoga com a história e as estruturas de poder que determinavam o uso desses materiais preciosos.
Série 'Novelos': fibras de uma fábrica esquecida
O chão da mostra é ocupado pela série 'Novelos' (2023/2025), composta por aproximadamente 300 peças formadas por fibras de linho. Essas fibras foram cuidadosamente coletadas por Marcelo Silveira em um depósito em ruína da extinta fábrica Braspérola, localizada em Camaragibe, Pernambuco. A série representa uma arqueologia do trabalho industrial, resgatando materiais esquecidos e transformando-os em manifestações artísticas que remetem à memória e à sustentabilidade.
Componente sonoro complementa a experiência visual
Complementando a experiência visual e tátil, a mostra apresenta ainda a obra 'Tudo certo' (2017), um áudio que reúne dezenas de vozes de integrantes do coral da cidade. Este elemento sonoro agrega uma dimensão humana à exposição, conectando a materialidade das obras com a presença da comunidade local e suas narrativas.
Conversa com o crítico Walter Arcela
O encontro entre Marcelo Silveira e Walter Arcela promete aprofundar discussões sobre sustentabilidade, história material e o papel da arte na ressignificação de objetos descartados. A conversa aberta oferece aos visitantes a chance de questionar e refletir sobre as implicações estéticas e conceituais das obras apresentadas, além de compreender melhor as motivações artísticas do criador.
