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Câmara bloqueia votação da escala 4×3: Hugo Motta impede destaque do PL sobre jornada de trabalho

Hugo Motta bloqueia votação da escala 4x3 na Câmara. Saiba como a manobra regimental impediu o destaque do PL e aprovação do texto alternativo.
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Amanda Clark

Manobra regimental bloqueia votação alternativa na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou uma manobra regimental para impedir que os parlamentares votassem um texto alternativo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6x1. A ação ocorreu durante a votação em plenário da Casa, após a aprovação do tema na comissão especial responsável pela análise da matéria.

Durante o debate sobre a proposta, Motta colocou em votação de forma simbólica o texto do relator Leo Prates (Republicanos-BA), impedindo assim que um destaque apresentado pelo Partido da Liberdade (PL) fosse votado. Este destaque buscava a redução da jornada para a escala 4x3, garantindo três dias de folga ao trabalhador.

O conflito entre as propostas de jornada de trabalho

A proposta original apresentada pela deputada Erika Hilton previa a redução da jornada de trabalho para a escala 4x3, ou seja, três dias de folga ao trabalhador com no máximo 36 horas semanais. Já o texto da PEC aprovado após negociação na comissão estabelece a escala 5x2, garantindo dois dias de folga com redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

A irritação de Motta tornou-se evidente durante a discussão, especialmente ao observar que deputados da oposição estavam defendendo a proposta original de Erika Hilton, apesar de terem trabalhado contra a PEC durante toda sua tramitação. Este movimento foi interpretado como uma tentativa de constranger os deputados governistas que estavam comprometidos com o acordo em torno do texto aprovado na comissão.

Estratégia do PL e constrangimento político

Nos bastidores, integrantes da bancada do PL admitiram que o objetivo era constranger o governo, que teria que se opor a uma proposta mais vantajosa aos trabalhadores. A estratégia começou na véspera, quando o líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que o partido apresentaria um destaque de preferência para votar a PEC original. Com a decisão de Motta, esse destaque foi rejeitado.

A posição do PL contrasta significativamente com a movimentação do partido nos últimos dias contra a votação do tema antes das eleições e com a defesa de prazos de transição maiores e compensações para setores econômicos mais atingidos. Durante a sessão da comissão, Cavalcanti rebateu críticas afirmando que o partido defenderá uma mudança ainda mais profunda: a jornada de quatro dias trabalhados por três de descanso.

Implicações da manobra regimental

A manobra executada por Motta oferece mais segurança ao presidente da Câmara para rejeitar ou aprovar propostas, já que não é preciso atingir um quórum mínimo e os parlamentares não ficam expostos às críticas por votar ou rejeitar determinada matéria. Agora, os parlamentares deverão votar exclusivamente o texto apresentado pelo relator Leo Prates.

Aproximação entre Motta e Lula e prioridade governamental

Motta tem se empenhado pessoalmente na aprovação da PEC e costurou acordo diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação aos termos do texto. O tema da redução de jornada de trabalho é considerado prioritário para a gestão petista e representa uma potencial bandeira para ser explorada na campanha à reeleição de Lula, dada a amplitude da medida.

A avaliação entre aliados do deputado é que uma votação expressiva favorável ao texto fortalece Motta internamente, além de ser uma pauta positiva e de grande alcance na sociedade. A PEC foi aprovada em comissão especial por 34 votos a 4, estabelecendo que a redução da jornada máxima de trabalho ocorreria em um período de um ano, com transição iniciando 60 dias após a promulgação.

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