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Pesquisa Quaest mostra vantagem de Lula e preocupa aliados de Flávio Bolsonaro

Pesquisa Quaest mostra Lula com 45% contra 37% de Flávio. Aliados do senador preocupados com crises e apostam no fim da agenda governamental.
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Amanda Clark

Cenário eleitoral se consolida desfavorável para pré-candidato do PL

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em meados de julho revelou um cenário preocupante para aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento não apenas confirmou a manutenção da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, mas também consolidou, pela primeira vez, os efeitos eleitorais de uma série de crises enfrentadas pela pré-candidatura desde maio do mesmo ano.

Os números apresentados no estudo apontaram Lula com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 37% de Flávio. Este resultado refletiu uma mudança significativa na curva de rejeição de ambos os candidatos. Enquanto a rejeição do petista passou de 55% em abril para 50% em julho, a de Flávio subiu de 52% para 57% no mesmo período, tornando o senador o presidenciável mais rejeitado entre os nomes testados pela instituição.

Sequência de crises prejudica campanha de Flávio

Interlocutores de Flávio avaliam que a pesquisa sintetiza um período de turbulência vivido pela pré-campanha nos meses anteriores. Em maio, antes da revelação da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro no episódio envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, a Quaest mostrava Lula e Flávio tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno. Desde então, porém, uma sucessão de episódios considerados prejudiciais passou a dominar a agenda.

O desgaste provocado pelo caso Dark Horse foi apenas o primeiro de uma série de eventos que marcaram a campanha. A pré-candidatura precisou conviver com críticas públicas de aliados de Eduardo Bolsonaro sobre a condução da estratégia eleitoral, questionamentos quanto à comunicação e organização, a crise com Michelle Bolsonaro e a repercussão da viagem de Flávio aos Estados Unidos em meio ao tarifaço anunciado pelo governo americano sobre produtos brasileiros. Esta sobreposição de crises impediu que a campanha conseguisse virar a página e recolocar o senador no centro da agenda política.

Problema com Michelle Bolsonaro ganha destaque

Um ponto reúne consenso entre o entorno do presidenciável: o desgaste provocado pela crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A pesquisa Quaest mostrou que 45% dos entrevistados consideram que Michelle acertou ao divulgar o vídeo em que criticou publicamente o enteado, enquanto 38% afirmaram que ela errou. Além disso, 42% disseram concordar mais com Michelle no episódio, contra apenas 18% que declararam apoiar Flávio.

Integrantes da campanha admitem que esse foi o episódio de maior impacto político das últimas semanas. A avaliação é que a crise atingiu principalmente o eleitorado feminino, mas também teve reflexos entre evangélicos, segmentos em que Michelle é uma das principais lideranças do campo bolsonarista. Em resposta, Flávio passou a intensificar agendas voltadas a esses públicos, lançando o programa Brasil por Elas, uma série de propostas para mulheres que passou a ocupar posição central na estratégia da campanha.

Estratégia de recuperação aposta no fim do pacote de benesses governamentais

Apesar do diagnóstico de que a pesquisa exige ajustes na condução da campanha, aliados demonstram confiança de que o cenário ainda pode ser revertido. O principal fator capaz de alterar o panorama nos próximos meses, segundo avaliação interna, seria o fim da intensa agenda institucional do presidente Lula.

A análise da campanha é que a melhora recente dos índices do presidente foi impulsionada, em parte, pelas benesses distribuídas pelo governo e a sequência de inaugurações, lançamentos de programas e anúncios de investimentos promovidos antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral a candidatos que ocupam cargos públicos, conhecido como período de defeso eleitoral.

Integrantes da campanha apostam que, com menos espaço para esse tipo de agenda, Lula poderá perder parte da exposição que contribuiu para a recuperação de sua popularidade. Entre as medidas responsáveis por este ganho estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, diferentes versões do Desenrola, programas como Gás do Povo e Luz do Povo, além de novas linhas de crédito. A expectativa é que, com o fim dessa vitrine institucional, a disputa passe a depender mais da campanha nas ruas e da comparação entre candidatos do que da agenda de governo.

Oportunidades identificadas na campanha

A campanha também identificou dados da pesquisa considerados favoráveis ao discurso que pretende adotar nos próximos meses. Um deles é a percepção do eleitorado sobre a investigação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da Operação Compliance Zero. Segundo a Quaest, 61% dos entrevistados consideram que Jaques Wagner agiu de forma errada no caso Banco Master, com 37% vendo um impacto muito negativo na campanha de Lula.

Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que esses números abrem espaço para intensificar ataques ao governo durante a campanha e deslocar parte do debate sobre o Banco Master para o Palácio do Planalto, representando um flanco para desgastar Lula nesta fase da disputa eleitoral.

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