O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou nesta segunda-feira que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), possui maior preparo técnico e administrativo para concorrer ao cargo máximo do país. Apesar dos elogios expressos, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ressaltou que seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto demonstra viabilidade eleitoral para a disputa presidencial de 2026.
Durante entrevista concedida ao podcast Inteligência Ltda, Flávio revelou detalhes de uma conversa mantida com o governador paulista em dezembro do ano anterior. Segundo o senador, teria abordado Tarcísio de forma direta, reconhecendo suas qualificações políticas e administrativas. "Aí vim aqui para São Paulo para conversar com ele. E falei: 'Tarcísio, eu acho que você é uma pessoa muito mais preparada do que eu. Eu preferiria muito mais votar em você do que em mim'", afirmou durante a entrevista.
Relação entre Flávio e Tarcísio
O pré-candidato enfatizou que Tarcísio de Freitas foi a primeira pessoa com quem conversou após receber indicação de seu pai para disputar a Presidência. Esta revelação demonstra a importância conferida à relação entre os dois políticos no contexto da estratégia eleitoral bolsonarista. Flávio também destacou a solidez da relação pessoal e política mantida com o governador paulista.
De acordo com o senador fluminense, caso Tarcísio não disputasse sua reeleição como governador de São Paulo, seu grupo político enfrentaria dificuldades significativas para escolher um candidato adequado para o estado. Na avaliação de Flávio, o atual governador "entregou muito e ainda tem muito a entregar" ao estado mais populoso do Brasil.
Tensões Internas no Bolsonarismo
Durante a entrevista, Flávio também abordou sua atuação para conter manifestações públicas do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra aliados do grupo, contexto marcado por tensões recentes no campo bolsonarista. Segundo o senador, o momento político atual exige coordenação estratégica e redução significativa de conflitos internos que possam prejudicar a pré-campanha presidencial.
Diálogo com Eduardo Bolsonaro
Flávio afirmou que mantém comunicação frequente com Eduardo, dialogando inclusive mais com o irmão do que com Carlos Bolsonaro. "Dos irmãos, converso com Eduardo sempre. Converso até mais com Eduardo do que com o Carlos. Por conta da necessidade, às vezes, de aparar uma aresta, trocar uma ideia, segurar uma onda aqui e ali", explicou. O senador reconheceu que Eduardo é "um cara muito preparado", mas alertou que confrontos públicos são contraproducentes neste momento da campanha presidencial.
De acordo com Flávio, a estratégia eleitoral para viabilizar sua candidatura à Presidência passa necessariamente pela reunião de lideranças de diferentes correntes ideológicas da direita brasileira. Esta abordagem depende fundamentalmente da redução de disputas internas que possam enfraquecer a coligação de apoio. O senador demonstrou compreensão pela postura de Eduardo, que permanece fora do país e vê a eleição de Flávio como caminho principal para seu retorno ao Brasil.
Relação com Nikolas Ferreira
Ao comentar o ambiente político da direita, Flávio procurou equilibrar a relação entre Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O senador ressaltou que ambos são lideranças importantes, mas possuem perspectivas distintas sobre a estratégia política. "Eduardo é uma liderança, Nikolas é uma liderança. Mas o Eduardo, por ter tido as contas bloqueadas, fica indignado porque acha que tem que ter a união da direita", observou Flávio.
Atrito Público entre Aliados
As declarações ocorrem após exposição pública de desacordos entre Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro, evidenciando divergências mais profundas dentro do movimento bolsonarista durante a pré-campanha presidencial. A controvérsia iniciou quando Eduardo criticou Nikolas por compartilhar conteúdos de perfis que não declaram apoio explícito a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
O deputado mineiro respondeu com mensagem irônica, levando Eduardo a replicar afirmando que não havia "limites para o desrespeito" com a família Bolsonaro. Posteriormente, Nikolas compartilhou vídeo do próprio Flávio pedindo "união na direita" acompanhado da mensagem "concordo, presidente", sinalizando seu alinhamento com a posição do pré-candidato.
Para aliados políticos, o episódio reflete disputas mais amplas sobre os rumos e prioridades da pré-campanha presidencial. Nos bastidores, o conflito está associado ao incômodo da ala mais ideológica da campanha com nomes da direita que ainda não estariam plenamente engajados na candidatura de Flávio. Além de Nikolas e Tarcísio, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também aparece entre nomes frequentemente cobrados por maior envolvimento na estratégia eleitoral.
