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PEC do Banco Central avança na CCJ após relator ceder ao governo; votação deve atrasar

PEC do BC avança na CCJ após relator ceder ao governo. Votação deve atrasar com pedidos de vista. Saiba o que muda na autonomia do Banco Central.
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Amanda Clark

Acordo abre caminho para pauta na próxima semana

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia do Banco Central do Brasil segue em marcha acelerada no Senado Federal. O relator Plínio Valério (PSDB-AM) anunciou que disponibilizará uma nova versão do relatório na sexta-feira, com expectativa de que a matéria seja incluída na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já na quarta-feira seguinte. A movimentação representa um avanço significativo após negociações intensas entre o relator e representantes do governo federal.

O senador confirmou seu compromisso de não mais segurar a proposta após incorporar as sugestões apresentadas. "Não vou mais segurar. Atendi sugestões da AGU e emenda do líder do PT", afirmou durante os bastidores do Senado. Este posicionamento marca uma mudança importante na dinâmica das discussões sobre o tema, que já gerava tensões entre diferentes setores do governo.

Mudanças contemplam pleitos do Palácio do Planalto

Uma das principais alterações incorporadas ao texto refere-se à manutenção do Banco Central como entidade pública de natureza especial. O parecer preserva o regime de direito público, atendendo diretamente um dos principais pleitos do Palácio do Planalto em relação à estrutura institucional da autoridade monetária.

Simultaneamente, a proposta amplia significativamente a autonomia da instituição, prevendo independência técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira. O texto também estabelece ausência de vinculação a ministérios ou subordinação hierárquica, reforçando a independência da autoridade monetária no exercício de suas funções.

Instrumentos de intervenção para garantir liquidez

Uma das emendas mais relevantes foi apresentada pelo líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE). O texto autoriza o Banco Central a utilizar instrumentos de intervenção para garantir a liquidez e o funcionamento adequado dos mercados em situações de risco sistêmico. Pela redação aprovada, a autoridade monetária poderá atuar inclusive por meio de negociações com entidades e fundos no mercado secundário de títulos públicos.

Além disso, a proposta prevê a concessão extraordinária de liquidez a instituições do sistema financeiro em cenários de grave disfuncionalidade, ampliando significativamente o arsenal de ferramentas disponíveis para o BC em momentos de crise ou instabilidade no sistema financeiro nacional.

Pressão do Banco Central pela aprovação

A movimentação ganhou tração especialmente após reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Durante encontro com Otto Alencar (presidente da CCJ) e Plínio Valério, Galípolo fez um apelo direto pela aprovação da proposta, citando o avanço de crimes financeiros e ataques cibernéticos como justificativas para maior autonomia da instituição.

A avaliação nos bastidores é que o relator buscou um meio-termo equilibrado: cedeu ao governo quanto ao regime jurídico, mas preservou os pilares de autonomia defendidos por parte do Senado e pelo próprio Banco Central. Esta estratégia parece ter encontrado um ponto de convergência entre posições anteriormente divergentes.

Governo econômico mantém ressalvas

Apesar do avanço nas negociações legislativas, a área econômica do governo segue contrária ao avanço da proposta neste momento. A equipe comandada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, mantém a avaliação anterior: a PEC não deveria ser votada pelo Congresso em ano eleitoral. Esta posição reflete preocupações com possíveis impactos políticos de mudanças institucionais profundas em período pré-eleitoral.

Expectativa de pedidos de vista adia votação

O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), sinalizou que a matéria pode ser pautada, mas indicou tendência de adiamento. "Se o relator quiser ler, a gente coloca na pauta. Mas alguém deve pedir vista", afirmou o senador. Entre líderes, a leitura predominante é que a PEC deve apenas iniciar sua tramitação na próxima semana, com leitura do relatório e abertura de prazo para negociação.

Essa dinâmica deve empurrar a deliberação efetiva para data posterior à sabatina do indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, prevista para o dia 29. A sobreposição de agendas legislativas importantes reduz a probabilidade de votação imediata da PEC, mantendo o tema em movimento mas sem prazo definido para conclusão.

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